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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Um Moisés de nossos dias

Rav Ovadia Yossef
Um Moisés de nossos dias
 

      O Mundo Judaico está de luto pela perda de um dos maiores líderes de nossa geração - o maior Líder do Povo Judeu de nossa época.
 

     O Chakham Ovadia Yossef nasceu em 1920 em Bagdá no Irak. Filho de Rav Jacó e Geórgia Ovadia, emigrou com sua família para Jerusalém na idade de quatro anos. Em sua juventude estudou na Yeshivá Porat Yossef , foi ordenado rabino na idade de vinte e um anos e contraiu matrimônio aos vinte e quatro anos com Margalit Fattal (que faleceu em 1994 depois de ter criado onze filhos juntos).
     Em 1947 pediram ao Chakham Ovadia que fosse ao Cairo no Egito, para servir ali como mestre do Bet-Din local. Em 1949 regressou ao moderno Estado de Israel (fundado recentemente) e continuou seus estudos enquanto servia ao Bet-Din de Petach Tikvá. Também publicou o primeiro de sua série de livros; Chazon Ovadia e Yabia Omer durante essa época.
     Entre 1958 e 1965 serviu no Bet Din de Jerusalém e logo se foi à Corte Suprema Religiosa, de onde sérvio até 1968. Nessa ano foi eleito Rabino Chefe Sefaradita de Tel-Aviv e se manteve nessa posição até 1973, ano no qual foi eleito Rabino Chefe Sefaradita de Israel.
     Em 1984, o Chakham Ovadia começou o partido político Shaás, o qual é atualmente o quarto maior partido político da Knesset.


Destinado a Grandeza

Um dia se deram conta na Yeshivá Porat Yossef que faltava um jovem estudante. O pessoal não tinha a mínima idéia de onde ele poderia estar. Após vários dias procurando, o famoso Rosh Yeshivá Chakham Ezra Attiya (1885-1970), que foi um dos maiores eruditos do Mundo Sefaradita do século vinte (entre seus estudantes se encontra o Chakham Bem Tzion Aba Shaul e Rav Kaduri entre outros) se preocupou muito e decidiu ir à casa deste estudante.
      Quando o Chakham Attiya falou com o pai dele, este lhe esplicou que o negócio da família era uma pequena quitanda que necessitava da ajuda de seu filho para entregar os pedidos. O Chakham tentou convencer o PI da importância do estudo da Torá e tentou encontrar uma solução para o problema da mão de obra, porém, tudo o esforço foi em vão. O pai não estava disposto a ceder.
          Na manhã seguinte, quando o pai foi a quitanda e se surpreendeu ao encontrar o Chakham Attyia, o mesmo Rosh Yeshivá, parado do lado de fora da quitanda vestido com roupas de trabalho. Quando o pai de Ovadia perguntou para o Rabino o que ele fazia ali daquele jeito, ele respondeu:

“O estudo do teu filho é inquestionavelmente mais importante do que o meu, e estás assinando ao Gadol da próxima geração. Portanto, eu vou fazer a entrega dos pedidos no lugar dele. Apenas manda a teu filho de volta à Yeshivá!”

     O pai de Ovadia entendeu a seriedade do assunto e mandou seu filho estudar. O menino logo se converteria no Chakham Ovadia Yossef z”l.



Prodígio da Torá

     O Chakham Ovadia é conhecido principalmente por seu vasto conhecimento, como é possível constatar em suas responsas na Lei Judaica. Em uma responsa standar ele podia citar até cinqüenta fontes distintas sobre um mesmo tema. Em sua biblioteca particular havia milhares de livros. Certa vez um visitante lhe perguntou: “Rav, escutei que o senhor tem uma memória fotográfica, é verdade? O senhor conhece todos estes livros de memória?” Os que estavam presentes no momento da pergunta o desafiou dizendo: “escolha qualquer livro dentre os milhares na biblioteca, comece a ler uma linha e o Chakham Ovadia citará o resto da linha de cabeça.”
     O homem começou a caminhar até os livros do Shaas (Talmud), então todos começaram a rir. “Acreditamos que você não deveria começar com algo tão fácil.” Brincaram.
     Seu filho, o Chakham David Yossef Shlit”a, uma vez me contou em nome do seu pai que “ele deseja que todos saibam que seu domínio da Torá não deve a que seja um Milagre, se não que também se deve a seu incansável esforço e sacrifício pela Torá”. Uma manhã, seus filhos observaram uma situação sumamnete peculiar. O Chakham Ovadia se levantou rapidamente da cama, correu até o lavabo para lavar suas mãos, recitou Birkot HaTorá (bençãoes que se recitam antes de estudar a Torá) e logo correu a ver uma responsa do Rivash. Seus filhos estavam muito intrigados pelo que haviam visto e esperavam anciosos uma explicação. “Sabemos que amas a Torá” – disceram – “Porém, qual é o problema?”
     Ele lhes respondeu que na noite anterior havia se esforçado muito para intentar entender duas declarações aparentemente contraditórias que havia feito o Rivash, as quais pareciam ser irreconciliáveis. Logo ao pensar no assunto durante algum tempo o Chakham Ovadia havia logrado resolver a contradição. “Em meu sonho – continuou dizendo – me apareceu o Rivash e me disse: ‘Efetivamente tu tens entendido minha intenção; não há contradição alguma entre minhas duas declarações. Tudo isto será esclarecido em outra fonte que eu escrevi.’ Ao levantar-me, fui revisar a fonte mencionada e efetivamente tudo estava ali.”



Sede incansável

     O Chakham Ovadia Yossef tinha uma sede que de Torá que é um exemplo para todos nós. Numa manhã bem cedinho, seu filho despertou e encontrou a seu pai estudando deitado no chão de barriga para cima. Assustado lhe perguntou: “Pai, porque o senhor está no chão?!”
     O Chakham Ovadia respondeu: “Acordei cedo para estudar, subi em uma escada para alcançar um livro e caí. Pedi ajuda, mas não pude gritar pois estava muito dolorido (por causa da queda), então, ao invés de ficar apenas deitado no chão me retorcendo de dor e perdendo tempo, apanhei um dos livros (que caiu) ao meu alcance e comecei a estudar”. Mais tarde foi descoberto que o Chakham Ovadia tinha quebrado um osso na espádua e necessitou de cirurgia.


    
Seu coração estava com o povo

     Foi a aproximadamente dez anos atrás que o Chakham Ovadia sofreu o seu primeiro ataque cardíaco e foi trasladado com urgência ao hospital. Os médicos decidiram que era necessário realizar uma cirurgia de imediato. O Cakham Ovadia pediu que o levassem para casa e propôs que atrasassem a cirurgia por três horas. O Rabino Aryé Deri se sorpreendeu pela solicitação dele e tratou de convencê-lo de não esperar. Depois de aceitarem o seu pedido, o Chakham Ovadia revelou seus pensamentos: Ele estava a ponto de escrever uma responsa para uma Aguná (uma mulher que se considera casada segundo a Lei Judaica e por tanto não pode contrair segundas núpcias) e devido ao ataque cardíaco não pode terminá-la. “Pode ser que eu não saia com vida dessa cirurgia, então, o que será dessa pobre mulher? Ela restará desolada pelo resto da vida sem poder casar-se novamente. Eu tinha que terminar a responsa antes da cirurgia”.  
     Sem sombra de dúvida, a singularidade do Chakham Ovadia Yossef ia além de sua erudição e compaixão. Havia algo mais que ele possuía que fez dele alguém insubstituível, ele era o Líder da Comunidade de Torá a nível Mundial. Se houvesse uma pergunta em relação a qualquer faceta da vida judaica, ele era a pessoa a quem todos recorriam.
     O Chakham Ovadia tinha uma habilidade única, ele era capaz de falar no nível mais alto de erudição, e ao mesmo tempo poderia aproximar as pessoas mais simples à Corrente do Judaísmo. Ele tinha tempo para todo mundo, e todo mundo confiava nele. Desde Menachem Begin – que buscou seu conselho antes de devolver o Deserto do Sinai ao Egito – até os Primeiros Ministros e Presidentes atuais vinham buscar seu conselho antes de tomar decisões importantes. Era comum ver a rua bloqueada devido a que um alto funcionário havia vindo a buscar conselho e benção do Rabino.    
   Como residente de Har Nof, teve o mérito de viver NE mesma quadra que o Grande Sábio, e estava acostumado a isso, assim como também estava acostumado a ver a muitos israelitas não religiosos que de fez em quando bloqueavam a rua porque haviam vindo a fim de que o Chakham Ovadia fosse o Sandak na Berit-Milá de seus filhos.  
     Não é de estranhar que um estimado de que uma média de 850.000 a 1milhão de pessoas vieram assistir ao seu funeral, junto com outros 200.000 exilados fora da cidade de Jerusalém que foi fechada para qualquer tipo de tráfico (este foi o maior funeral da História de Israel). Desde judeus não religiosos que assistiam a suas milhares de aulas, até juízes da Corte Suprema que o solicitava a fim de resolver casos que eles não conseguiam resolver, quase 15% da população do Estado Judeu se aproximou para render homenagem ao Grande Sábio.
     A Grandeza do Chakham Ovadia não era só sua erudição na Torá e sua característica altruísta, se não que ele foi capaz de mostrar ao mundo – desde qualquer perspectiva – que a Torá tinha respostas para tudo. Este feito se vui claramente refletido em seu funeral, pelo grande número de assistentes e a incrível diversidade dos que estavam presentes. Todo tipo de judeus, de todos os âmbitos da vida, se uniram de pé em solidariedade e lamentação pela perda de um Grande Homem.
     Na Yeshivá de um Grande Sábio de Torá em Jerusalém, uma vez que o Chakham Yossef declarou o seguinte: “Nós dizemos ‘HaMaqom Yenachem Etchem Betoch Shear Avelei Tzion VeYerushalaim’ – Que o Lugar te console entre os que choram por Sião e Jerusalém. HaMaqom se traduz comumente como ‘Deus’ que é o ‘Lugar do Universo’. Porém o chakham Ovadia explicou que também pode significar que ‘o Lugar’ da pessoa no Outro Mundo deveria consolar-te, é dizer; seu Eterno Lugar que há alcançado através de seu estudo de Torá e cumprimento de Mitzivot.
     Que o Lugar que o chakham Ovadia conduziu aos judeus do mundo e, concretamente, ao Mundo Sefaradita de hoje em dia – umn´vel que nem se quer se podia sonhar anos atrás – nos dê consolo para que possamos continuar com seu legado.



O Chakham Ovadia Yossef passou a brilhar no Outro Mundo no dia 7 de Outubro de 2013

Fonte: http://www.aishlatino.com/iymj/mj/Rav-Ovadia-Yosef-Comandante-en-Jefe-de-la-Tora.html

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Nashim Chaialot


Nashim Chaialot

Algumas das Preciosas e Valentes Mulheres do Judaísmo
Que Adquiriram o Valor dos Santos

Maria / Marta
    “E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Yeshua numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; e tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Yeshua, ouvia a Sua Palavra. Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Yeshua, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.”
(Lucas 10:38-42)
        O que foi que Maria escolhera que realmente é necessária?
        Ela escolheu estudar a Torá, observe que o Texto Sagrado salienta:
“... e tinha esta uma irmã chamada Marta, a qual, assentando-se também aos pés de Yeshua ...”
       Ou seja, naquela ocasião, Rabi Yeshua estava rodeado de discípulos como de costume, todos homens com exceção de Maria que se ajuntara a eles para estudar a Torá sem se importar com o que pensariam dela e esse comportamento à primeira vista “libertino” assegurou-lhe não somente informações preciosas como nos esclarece alguns pontos importantes em relação às mulheres aprenderem a Torá com os rabinos:
·        Não é proibido – foi isso que Rabi Yeshua demonstrou quando não atendeu ao pedido de Marta, mas antes, a censurou por sua demasiada preocupação com os afazeres domésticos e o desleixo no Estudo da Torá.
·        Se o número de judeus é maior que o número de judias nas Batot Midrashim, é pelo mesmo motivo que levou Marta a ir cuidar da casa (o que não está errado) ao invés de aproveitar a oportunidade que tinha para estudar.
·        Que enquanto estudam a Torá, homens e mulheres são literalmente iguais aos Olhos de Deus, pois Ele nos Ensinou através de Mashiach que no Mundo Vindouro todos seremos semelhantes aos Mensageiros do altíssimo que “nem se casam e nem se dão em casamento”.


Abichail
     “E faleceu Samuel, e todo o Israel se ajuntou, e o prantearam, e o sepultaram na sua casa, em Ramá. E Davi se levantou e desceu ao deserto de Parã. E havia um homem em Maom, que tinha as suas possessões no Carmelo; e era este homem muito poderoso, e tinha três mil ovelhas e mil cabras; e estava tosquiando as suas ovelhas no Carmelo. E era o nome deste homem Nabal, e o nome de sua mulher Abigail; e era a mulher de bom entendimento e formosa; porém o homem era duro, e maligno nas obras, e era da casa de Calebe. E ouviu Davi no deserto que Nabal tosquiava as suas ovelhas, e enviou Davi dez moços, e disse aos moços: Subi ao Carmelo, e, indo a Nabal, perguntai-lhe, em meu nome, como está. E assim direis àquele próspero: Paz tenhas, e que a tua casa tenha paz, e tudo o que tens tenha paz! Agora, pois, tenho ouvido que tens tosquiadores. Ora, os pastores que tens estiveram conosco; agravo nenhum lhes fizemos, nem coisa alguma lhes faltou todos os dias que estiveram no Carmelo. Pergunta-o aos teus moços, e eles to dirão. Estes moços, pois, achem graça em teus olhos, porque viemos em boa ocasião. Dá, pois, a teus servos e a Davi, teu filho, o que achares à mão. Chegando, pois, os moços de Davi, e falando a Nabal todas aquelas palavras em nome de Davi, se calaram. E Nabal respondeu aos criados de Davi, e disse: Quem é Davi, e quem é o filho de Jessé? Muitos servos há hoje, que fogem ao seu senhor. Tomaria eu, pois, o meu pão, e a minha água, e a carne das minhas reses que degolei para os meus tosquiadores, e o daria a homens que eu não sei donde vêm? Então os moços de Davi puseram-se a caminho e voltaram, e chegando, lhe anunciaram tudo conforme a todas estas palavras. Por isso disse Davi aos seus homens: Cada um cinja a sua espada. E cada um cingiu a sua espada, e cingiu também Davi a sua; e subiram após Davi uns quatrocentos homens, e duzentos ficaram com a bagagem. Porém um dentre os moços o anunciou a Abigail, mulher de Nabal, dizendo: Eis que Davi enviou mensageiros desde o deserto a saudar o nosso amo; porém ele os destratou. Todavia, aqueles homens têm-nos sido muito bons, e nunca fomos agravados por eles, e nada nos faltou em todos os dias que convivemos com eles quando estavam no campo. De muro em redor nos serviram, assim de dia como de noite, todos os dias que andamos com eles apascentando as ovelhas. Considera, pois, agora, e vê o que hás de fazer, porque o mal já está de todo determinado contra o nosso amo e contra toda a sua casa, e ele é um homem vil, que não há quem lhe possa falar.      Então Abigail se apressou, e tomou duzentos pães, e dois odres de vinho, e cinco ovelhas guisadas, e cinco medidas de trigo tostado, e cem cachos de passas, e duzentas pastas de figos passados, e os pôs sobre jumentos. E disse aos seus moços: Ide adiante de mim, eis que vos seguirei de perto. O que, porém, não declarou a seu marido Nabal. E sucedeu que, andando ela montada num jumento, desceu pelo encoberto do monte, e eis que Davi e os seus homens lhe vinham ao encontro, e ela encontrou-se com eles. E disse Davi: Na verdade que em vão tenho guardado tudo quanto este tem no deserto, e nada lhe faltou de tudo quanto tem, e ele me pagou mal por bem. Assim faça Deus aos inimigos de Davi, e outro tanto, se eu deixar até amanhã de tudo o que tem, até mesmo um menino. Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra. E lançou-se a seus pés, e disse: Ah, senhor meu, minha seja a transgressão; deixa, pois, falar a tua serva aos teus ouvidos, e ouve as palavras da tua serva. Meu senhor, agora não faça este homem vil, a saber, Nabal, impressão no seu coração, porque tal é ele qual é o seu nome. Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele, e eu, tua serva, não vi os moços de meu senhor, que enviaste. Agora, pois, meu senhor, vive o SENHOR, e vive a tua alma, que o SENHOR te impediu de vires com sangue, e de que a tua mão te salvasse; e, agora, tais quais Nabal sejam os teus inimigos e os que procuram mal contra o meu senhor. E agora este é o presente que trouxe a tua serva a meu senhor; seja dado aos moços que seguem ao meu senhor. Perdoa, pois, à tua serva esta transgressão, porque certamente fará o SENHOR casa firme a meu senhor, porque meu senhor guerreia as guerras do SENHOR, e não se tem achado mal em ti por todos os teus dias, e, levantando-se algum homem para te perseguir, e para procurar a tua morte, contudo a vida de meu senhor será atada no feixe dos que vivem com o SENHOR teu Deus; porém a vida de teus inimigos ele arrojará ao longe, como do meio do côncavo de uma funda. E há de ser que, usando o SENHOR com o meu senhor conforme a todo o bem que já tem falado de ti, e te houver estabelecido príncipe sobre Israel, então, meu senhor, não te será por tropeço, nem por pesar no coração, o sangue que sem causa derramaste, nem tampouco por ter se vingado o meu senhor a si mesmo; e quando o SENHOR fizer bem a meu senhor, lembra-te então da tua serva. Então Davi disse a Abigail: Bendito o SENHOR Deus de Israel, que hoje te enviou ao meu encontro. E bendito o teu conselho, e bendita tu, que hoje me impediste de derramar sangue, e de vingar-me pela minha própria mão. Porque, na verdade, vive o SENHOR Deus de Israel, que me impediu de que te fizesse mal, que se tu não te apressaras, e não me vieras ao encontro, não ficaria a Nabal até a luz da manhã nem mesmo um menino. Então Davi tomou da sua mão o que tinha trazido, e lhe disse: Sobe em paz à tua casa; vês aqui que tenho dado ouvidos à tua voz, e tenho aceitado a tua face. E, vindo Abigail a Nabal, eis que tinha em sua casa um banquete, como banquete de rei; e o coração de Nabal estava alegre nele, e ele já muito embriagado, pelo que ela não lhe deu a entender coisa alguma, pequena nem grande, até à luz da manhã. Sucedeu, pois, que pela manhã, estando Nabal já livre do vinho, sua mulher lhe deu a entender aquelas coisas; e se amorteceu o seu coração, e ficou ele como pedra. E aconteceu que, passados quase dez dias, feriu o SENHOR a Nabal, e este morreu.”
(1 Samuel 25:1-38)
     AviChail: Em português “Abigail”, siginifica: Meu Pai é Valente. Uma mulher de fibra, moral, coragem e de bom coração. Com essas qualidades não só livrou o perverso marido da destruição como por seus méritos se tornou a esposa do Rei de Israel.
Débora e Yael
     “Porém os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, depois de falecer Eúde. E vendeu-os o SENHOR na mão de Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor; e Sísera era o capitão do seu exército, o qual então habitava em Harosete dos gentios. Então os filhos de Israel clamaram ao SENHOR, porquanto ele tinha novecentos carros de ferro, e por vinte anos oprimia violentamente os filhos de Israel. E Débora, mulher profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo. Ela assentava-se debaixo das palmeiras de Débora, entre Ramá e Betel, nas montanhas de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo. E mandou chamar a Baraque, filho de Abinoão de Quedes de Naftali, e disse-lhe: Porventura o SENHOR Deus de Israel não deu ordem, dizendo: Vai, e atrai gente ao monte Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom? E atrairei a ti para o ribeiro de Quisom, a Sísera, capitão do exército de Jabim, com os seus carros, e com a sua multidão; e o darei na tua mão. Então lhe disse Baraque: Se fores comigo, irei; porém, se não fores comigo, não irei. E disse ela: Certamente irei contigo, porém não será tua a honra da jornada que empreenderes; pois à mão de uma mulher o SENHOR venderá a Sísera. E Débora se levantou, e partiu com Baraque para Quedes. Então Baraque convocou a Zebulom e a Naftali em Quedes, e subiu com dez mil homens após ele; e Débora subiu com ele. E Héber, queneu, se tinha apartado dos queneus, dos filhos de Hobabe, sogro de Moisés; e tinha estendido as suas tendas até ao carvalho de Zaanaim, que está junto a Quedes, e anunciaram a Sísera que Baraque, filho de Abinoão, tinha subido ao monte Tabor. E Sísera convocou todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e todo o povo que estava com ele, desde Harosete dos gentios até ao ribeiro de Quisom. Então disse Débora a Baraque: Levanta-te, porque este é o dia em que o SENHOR tem dado a Sísera na tua mão; porventura o SENHOR não saiu adiante de ti? Baraque, pois, desceu do monte Tabor, e dez mil homens após ele. E o SENHOR derrotou a Sísera, e a todos os seus carros, e a todo o seu exército ao fio da espada, diante de Baraque; e Sísera desceu do carro, e fugiu a pé. E Baraque perseguiu os carros, e o exército, até Harosete dos gentios; e todo o exército de Sísera caiu ao fio da espada, até não ficar um só. Porém Sísera fugiu a pé à tenda de Jael, mulher de Héber, queneu; porquanto havia paz entre Jabim, rei de Hazor, e a casa de Héber, queneu. E Jael saiu ao encontro de Sísera, e disse-lhe: Entra, senhor meu, entra aqui, não temas. Ele entrou na sua tenda, e ela o cobriu com uma coberta. Então ele lhe disse: Dá-me, peço-te, de beber um pouco de água, porque tenho sede. Então ela abriu um odre de leite, e deu-lhe de beber, e o cobriu. E ele lhe disse: Põe-te à porta da tenda; e há de ser que se alguém vier e te perguntar: Há aqui alguém? Responderás então: Não. Então Jael, mulher de Héber, tomou uma estaca da tenda, e lançou mão de um martelo, e chegou-se mansamente a ele, e lhe cravou a estaca na fonte, de sorte que penetrou na terra, estando ele, porém, num profundo sono, e já muito cansado; e assim morreu. E eis que, seguindo Baraque a Sísera, Jael lhe saiu ao encontro, e disse-lhe: Vem, e mostrar-te-ei o homem que buscas. E foi a ela, e eis que Sísera jazia morto, com a estaca na fonte. Assim Deus naquele dia sujeitou a Jabim, rei de Canaã, diante dos filhos de Israel. E continuou a mão dos filhos de Israel a pesar e a endurecer-se sobre Jabim, rei de Canaã; até que exterminaram a Jabim, rei de Canaã. E cantou Débora e Baraque, filho de Abinoão, naquele mesmo dia, dizendo: Louvai ao SENHOR pela vingança de Israel, quando o povo se ofereceu voluntariamente. Ouvi, reis; dai ouvidos, príncipes; eu, eu cantarei ao SENHOR; salmodiarei ao SENHOR Deus de Israel. O SENHOR, saindo tu de Seir, caminhando tu desde o campo de Edom, a terra estremeceu; até os céus gotejaram; até as nuvens gotejaram águas. Os montes se derreteram diante do SENHOR, e até Sinai diante do SENHOR Deus de Israel. Nos dias de Sangar, filho de Anate, nos dias de Jael cessaram os caminhos; e os que andavam por veredas iam por caminhos torcidos. Cessaram as aldeias em Israel, cessaram; até que eu, Débora, me levantei, por mãe em Israel me levantei. E se escolhia deuses novos, logo a guerra estava às portas; via-se por isso escudo ou lança entre quarenta mil em Israel? Meu coração é para os legisladores de Israel, que voluntariamente se ofereceram entre o povo; bendizei ao SENHOR. Vós os que cavalgais sobre jumentas brancas, que vos assentais em juízo, que andais pelo caminho, falai disto. Donde se ouve o estrondo dos flecheiros, entre os lugares onde se tiram águas, ali falai das justiças do SENHOR, das justiças que fez às suas aldeias em Israel; então o povo do SENHOR descia às portas. Desperta, desperta, Débora, desperta, desperta, entoa um cântico; levanta-te, Baraque, e leva presos os teus cativos, tu, filho de Abinoão. Então fez dominar sobre os nobres entre o povo, aos que restaram; fez-me o SENHOR dominar sobre os poderosos. De Efraim saiu a sua raiz contra Amaleque; e depois de ti vinha Benjamim dentre os teus povos; de Maquir desceram os legisladores, e de Zebulom os que levaram a cana do escriba. Também os principais de Issacar foram com Débora; e como Issacar, assim também Baraque, foi enviado a pé para o vale; nas divisões de Rúben foram grandes as resoluções do coração. Por que ficaste tu entre os currais para ouvires os balidos dos rebanhos? Nas divisões de Rúben tiveram grandes esquadrinhações do coração. Gileade ficou além do Jordão, e Dã por que se deteve nos navios? Aser se assentou na beira dos mares, e ficou junto às suas baías. Zebulom é um povo que expôs a sua vida à morte, como também Naftali, nas alturas do campo. Vieram reis, pelejaram; então pelejaram os reis de Canaã em Taanaque, junto às águas de Megido; não tomaram despojo de prata. Desde os céus pelejaram; até as estrelas desde os lugares dos seus cursos pelejaram contra Sísera. O ribeiro de Quisom os arrastou, aquele antigo ribeiro, o ribeiro de Quisom. Pisaste, ó minha alma, à força. Então os cascos dos cavalos se despedaçaram; pelo galopar, o galopar dos seus valentes. Amaldiçoai a Meroz, diz o anjo do SENHOR, acremente amaldiçoai aos seus moradores; porquanto não vieram ao socorro do SENHOR, ao socorro do SENHOR com os valorosos. Bendita seja entre as mulheres, Jael, mulher de Héber, o queneu; bendita seja entre as mulheres nas tendas. Água pediu ele, leite lhe deu ela; em prato de nobres lhe ofereceu manteiga. Å estaca estendeu a sua mão esquerda, e ao martelo dos trabalhadores a sua direita; e matou a Sísera, e rachou-lhe a cabeça, quando lhe pregou e atravessou as fontes. Entre os seus pés se encurvou, caiu, ficou estirado; entre os seus pés se encurvou, caiu; onde se encurvou, ali ficou abatido. A mãe de Sísera olhava pela janela, e exclamava pela grade: Por que tarda em vir o seu carro? Por que se demoram os ruídos dos seus carros? As mais sábias das suas damas responderam; e até ela respondia a si mesma: Porventura não achariam e repartiriam despojos? Uma ou duas moças a cada homem? Para Sísera despojos de estofos coloridos, despojos de estofos coloridos bordados; de estofos coloridos bordados de ambos os lados como despojo para os pescoços. Assim, ó SENHOR, pereçam todos os teus inimigos! Porém os que te amam sejam como o sol quando sai na sua força. E sossegou a terra quarenta anos.”
(Juízes 4:1-24 / 5:1-32)
     Débora, a valente e sábia Profetisa de Israel, enquanto ela viveu nenhum homem conseguiu igualar-se em valor diante de Deus e dos Filhos de Israel. Ela com Sabedoria e destreza governou Israel por quarenta anos e em seus dias Israel esteve bem encaminhado e não desviaram os seus caminhos do Eterno. Por ouvirem a sua orientação, Israel foi bem sucedido nos Céus e na Terra.
     A gentia (não judia) Jael, se chama em hebraico Yael, que quer dizer: o Eterno é meu Deus. Foi com esse pensamento e com essa natureza que ela pode auxiliar Israel em tão grande guerra e ter o seu nome eternizado nas páginas das Sagradas Escrituras.



Conclusão
     Num mundo “moderno e desenvolvido” como o nosso, onde os valores morais tem sido negligenciados sob o pretesto de valorização das mulheres, as Escrituras Sagradas nos ensinam através destas preciosas mulheres que é possível ter valor e muito valor sem depreciar a Religião a Moral e os Bons Costumes.
Shalom UL’Hitraot!!!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A Verdade Interior



A Verdade Interior



     Na Parashá Lekh Lekhá (Gênesis 12-17), nos é apresentado Abraão, o primeiro judeu. Até agora, as mensagens da Torá haviam sido mensagens universais e relevantes para toda a humanidade. Porém agora, as mensagens começam a ser más específicas e únicas para o povo judeu, a partir da primeira comunicação de Deus com Abraão.
     A Torá não é um Livro de História apenas, é um Manual de Instruções para a Vida. Assim que se a Torá nos diz que Deus se comunicou com Abraão, significa que Deus está enviando uma Mensagem a todos e cada um de nós.

     
     Então, qual é o Primeiro Mandamento de Deus para Abraão e, em essência, a primeira Ordem de Deus para cada judeu? Deus diz a Abraão: “Lekh Lekhá” - Kl Kl - “Sai para ti mesmo, de tua terra, de teu lugar de nascimento e da casa de teu pai, à Terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12:1).

     A primeira vista, isto é difícil de entender. Que quer dizer Deus com “vem a ti”?

     Deus disse a Abraão que deixe para trás as influências que hão dado forma a seu sistema de valores; sua terra, sua sociedade, seu lugar de nascimento, seu grupo de amigos, a casa de seu pai, sua família. Deus disse a Abraão: Não permita que estas influências determinem tuas crenças na vida. Não te transformes em um simples produto do que está à tua volta, antes: “Sai para ti mesmo”. Volta-te para ti mesmo, Abraão.  Olha no teu interior e descobre quem és. E não deixes que nada te diga ao contrário. Confia em ti mesmo, porque no final das contas, isso é a única coisa em que realmente deves confiar.

    
    A Verdade, disse Deus a Abraão, se encontra dentro de cada um de nós. Porém, geralmente estamos tão ocupados buscando no exterior, que não nos damos conta de que a Verdade está justamente no nosso interior.
     Esta é uma filosofia chocante para uma religião ensinar aos seus seguidores, ainda mais como seu primeiro mandamento. Afasta-te do que tua família te disse que é Verdade. Afasta-te do que os teus amigos te dizem que é Verdade. Afasta-te do que tua sociedade te diz que é Verdade. Olha dentro de ti mesmo, e confia no que sabes que é Verdade.

    
      Permitam-me ser mais claro: o Judaísmo não está dizendo que cada um de nós tem sua própria verdade – pelo contrário. O que o Judaísmo está dizendo é que quando os seres humanos olham dentro de si mesmos, todos encontram a Verdade, porque a 
Verdade transcende as mentes e os corpos individuais.



     Dessa forma, quando uma pessoa olha para dentro de si com honestidade e transparência, a Verdade que encontrará será a mesma Verdade pregada pelo Judaísmo, pois, um e outro foram Escritos pela mesma Mão.

     Esta sim é uma Religião que me agrada!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Descobrindo a nossa própria essência


Descobrindo a nossa própria essência
Parashá Vayelekh (Deuteronômio 31)


     O Talmud relata que antes de sua morte, Moshé escreveu 13 rolos da Torá, um para manter na Arca Sagrada e os outros para serem distribuídos a cada uma das 12 Tribos. Esta foi uma maneira engenhosa de garantir a integridade do texto da Torá, para que todas as cópias futuras pudessem ser verificadas com as originais Escritas por Moshé.
    Curiosamente, esta Parashá menciona a última das 613 Mitzivot: a obrigação de cada um escrever a sua própria cópia da Torá. Embora tenha herdado uma, mesmo assim deveriam escrever uma cópia por conta própria.


     Os comentaristas explicam que hoje realizam esta Mitzivá acumulando livros referentes ao estudo da Torá em uma biblioteca, criando um ambiente propício ao estudo da Torá.
     Mas existe uma mais profunda aqui. A Mitzivá de escrever um Rolo da Torá em si significa internalizar a Torá. Criar uma relação emocional com a Torá, para que os nossos pensamentos e ações venham a ser sempre filtrados pelo prisma da Torá. A Torá sempre forneceu aos judeus informações e orientações sobre tudo, de negócio a casamento, desde as tragédias às celebrações, etc.


     Rabino Emanuel Feldman escreve:

"Além de qualquer razão racional, a Torá é uma ponte que liga ao misterioso Deus judaico, através do qual eles podem interagir e se comunicar, e através do qual Deus mantém Sua Aliança com o Seu Povo, a Aliança em mantê-los e protegê-los. Quando estudamos Torá, não estamos estudando um texto abstrato e arcaico de um mundo antigo. Estamos estudando a maneira que Deus quer que vivamos na Terra ... na verdade estamos descobrindo a essência do judaísmo, que é o mesmo que dizer, a essência de nós mesmos. "


     Em Sukot, costumamos ler o Sefer Kohelet (Eclesiastes), o que aparentemente parece à primeira vista uma contradição, pois, das três festas da Peregrinação, Sukot é a mais alegre delas por excelência, o Sefer Kohelet, porém, parece nos dizer que toda essa engenhosidade em promover esta festa ou qualquer outra é vã!
     A chave para descobrirmos o porquê os nossos sábios determinaram a leitura de Kohelet em Sukot se encontra no final do mesmo livro, que em português diz:

“De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e segue os Seus Mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, a até tudo o que está encoberto, quer seja bom, que seja ruim.”
(Eclesiastes 12:13-14)



     Segundo o texto em português, devemos realizar a festa de Sukot, assim como as demais festas e cumprir com os Mandamentos de Deus, porque Deus Mandou, isso nos diferenciaria dos demais povos da terra, ou seja; há os homens que crêem em Deus segundo a orientação da Torá e há os homens que não crêem em Deus segundo a orientação da Torá. Portanto, a conclusão do texto em português é: “Apesar de parecer vã todas essas coisas, deveis fazê-las pelo simples fato das mesmas terem sido Ordenadas por Deus.”

     O texto em hebraico, porém, nos traz uma perspectiva diferente:

 rwmv wytwum-taw ary Myhlah-ta emvn lkh rbd Pwo
 jpvmb aby Myhlah hvem-lk-ta yk Mdah-lk hz-yk
 er-Maw bwj-Ma Mlen-lk le

Sof Davar HaKol Nishma Et-HaElohim Yerá VeEt-Mitzivotav Shemor, Ki Zê Kol HaAdam, Ki-Et-Kol Maasse HaElohim Yavo BeMishpat Al Kol-Neelam Im-Tov VeIm-Ra

“A conclusão de tudo o que ouvimos é: Ao Eterno temerás e aos Seus Mandamentos guardarás, pois, isto é todo o homem, porque tudo que foi feito por Deus virá em Juízo, mesmo sobre o que está encoberto, seja bom, ou seja ruim.”


     As Escrituras Sagradas em sua língua original nos traz um dado interessante quando em contraste com o texto em português. O texto em português parece nos dizer que; “apesar de ser vã a guarda dos Mandamentos, devemos guardá-los, pois, nos diferencia dos homens que não crêem em Deus.” O texto em Hebraico, por outro lado, nos diz diferente, ele nos diz que: “Guardar os Mandamentos, é isto que é todo o homem.”
ary Myhlah-ta emvn lkh rbd Pwo
 Mdah-lk hz-yk rwmv wytwum-taw

“O Fim de tudo o que foi ouvido é: A Deus temerás e aos Seus Mandamentos guardarás, pois, isto é todo o homem.”

     Enquanto o texto em português diz que guardar aos Mandamentos é dever de todo o homem, o texto em Hebraico nos informa que; guardar aos Mandamentos é isso que é todo o homem, em outras palavras, não existe homem sem a guarda dos Mandamentos. Ou seja; sem a guarda dos Mandamentos de Deus, os homens na verdade são como os animais, espiritualmente não há distinção alguma, pois, guardar os Mandamentos de Deus não é o dever de todo homem, na verdade são os Mandamentos de Deus que nos faz diferentes dos animais, pois, os Mandamentos de Deus nos educa em relação aos nossos impulsos naturais que na verdade não tem distinção alguma dos impulsos dos animais.


     Os cientistas acreditam que o que nos distingue dos animais é a capacidade de raciocinar, se fosse apenas isso, os chimpanzés de fato seriam uma espécie de “nossos ancestrais”, se fosse pela inteligência que nós nos distinguiríamos dos animais, quanto mais inteligente fosse um animal mais homem o animal se tornaria.

     Kohelet nos ensina que o que nos distingue dos animais, não é o nosso aspecto físico, pois, neste sentido, somos tão animais como qualquer deles, não é na nossa capacidade de modificar o meio-ambiente em que vivemos, pois, os cupins, as formigas e os castores fazem o mesmo, não é porque somos capazes de vivermos em sociedade, pois, se fosse assim, as abelhas seriam mais homens do que nós.


     O que nos faz homens, distintos totalmente dos animais é a guarda dos Mandamentos de Deus, é o Estudo da Torá. Dessa forma, não existem os crentes em Deus e os homens descrentes, na verdade só existem os homens e os animais cuja distinção será percebida pela guarda dos Mandamentos de Deus, pois:

!Mdah-lk hz
Isto é todo o homem!
Shalom UL’Hitraot!!!

domingo, 30 de setembro de 2012

Os Valores de Sukot


Os Valores de Sukot



     A nós os judeus nos foram ordenado trocar nossas moradas por Sukot (cabanas) no dia 15 do sétimo mês do calendário judaico, Tishrei, em lembrança às Sukot nas quais D'us os instalou quando saíram do Egito. Como está Escrito:

“Porém aos quinze dias do mês sétimo, quando tiverdes recolhido do fruto da terra, celebrareis a festa do Eterno por sete dias; no primeiro dia haverá descanso, e no oitavo dia haverá descanso.” 
(Levítico 23:39)

     Entretanto pode-se perguntar: o Êxodo do Egito ocorreu em Nissan; seria, portanto, mais adequado lembrar o evento na sua época original - Nissan. Por que fomos ordenados a observar Sukot em Tishrei? Inúmeras razões foram dadas.

     Durante Nissan, mês da primavera em Israel, o clima fica mais quente, usualmente saímos para ficar em cabanas. E é exatamente em Tishrei que as pessoas voltam a ficar em casa devido às chuvas e ao frio das noites. Portanto, quando neste período os judeus residem em tendas, fica claro perante todos que isto está sendo feito para servir a D'us e cumprir Sua Vontade, como está escrito: "A fim de que as gerações saibam."

     Nossos sábios também responderam à pergunta por que observamos Sukot depois de Yom Kipur: Em Rosh Hashaná D'us julga todos os habitantes do mundo; em Yom Kipur Ele sela o julgamento. E uma vez que possa ter sido decretado que Israel vá ao exílio, erigimos a Suká.


     Outras razões foram apontadas pelas autoridades judaicas. Não comemoramos as nuvens de glória que rodearam o povo judeu quando da saída do Egito, uma vez que desapareceram com o pecado do bezerro de ouro. Comemoramos somente as nuvens de glória que retornaram - depois de Yom Kipur - e que continuaram durante os quarenta anos de permanência do povo no deserto.


     Depois de Israel ter cometido o pecado do bezerro de ouro e do desaparecimento das nuvens de glória, Moshé (Moisés) subiu aos Céus três vezes. Ao descer pela terceira vez, trouxe para Israel a Mitzivá de erigir o Mishkan - Tabernáculo, que simboliza a Morada de D’us na terra - como uma prova de que D'us havia se reconciliado com o povo e a partir de então iria habitar em nosso meio.


     Em Yom Kipur, Moshé desceu do monte. No dia seguinte, está escrito: "Moshé reuniu toda a congregação dos filhos de Israel e disse... tomai de vós uma oferenda para D'us." Nos dois dias seguintes - dia 12 e 13 de Tishrei - eles trouxeram suas contribuições. No dia 14 de Tishrei, os artesãos que construíram o Mishkan receberam todas as contribuições de Moshé. No dia 15, começou a construção e, então, as nuvens de glória retornaram e formaram uma Suká - uma cobertura protetora - sobre o acampamento de Israel.


Conseqüentemente, determinou-se que ficássemos em tendas naquele dia. Da mesma maneira que D'us, por assim dizer, deixou os Céus e fez Sua Presença repousar no seio dos filhos de Israel, assim Israel mostra a D'us que também deixam suas casas e permanecem com Ele, numa Suká - na Sombra protetora de Sua Fé.

     Durante os Dias de Reverência, de Rosh Hashaná a Yom Kipur, Israel pede perdão pelos pecados de todo o ano. Mas apesar do arrependimento ser aceito e os pecados perdoados, ainda nos preocupamos com pecados no passado. Normalmente, uma pessoa arrependida se sente como se não pudesse encontrar lugar no mundo. D'us então nos diz: "Desde que não conseguem encontrar um lugar, devido ao seu sentimento de culpa, Eu lhes farei um lugar. Venha a Mim e encontre proteção na Minha sombra - na Suká da Minha Paz." Como está Escrito:

“Deixo-vos a Paz, a Minha Paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” 
(João 14:27)

     Habitar na Suká durante Chag Sukot é uma experiência espetacular. O Rabino Weytman nos ensinou que quando colocamos o nosso Tefilin, servimos a D’us com o nosso braço e cabeça, quando recitamos o Shemá, servimos a D’us com nossos lábios, quando vamos a Sinagoga, servimos a D’us com nossas pernas e nosso coração, porém, quando habitamos numa Suká em Sukot, servimos a D’us com todo o nosso ser, pois, todo o Santuário que a Suká representa tem que ser construído por você e habitado por você e é na Suká que você por sete dias se transforma Naquele que emana Luz e ao mesmo tempo é aquele que A recebe.


     Hoje em dia, num mundo cada vez mais dominado pelo Yetzer HaRa, é a cada vez, mais difícil realizarmos plenamente as Mitzivot de Sukot, por outro lado, devemos ter em mente, que a Suká nada mais é que uma habitação frágil e temporária cuja função maior é nos fazer lembrar da nossa dependência em relação a D’us. Neste sentido, a Suká é um símbolo externo da fragilidade de nossa permanência neste mundo, assim, o nosso corpo é portanto a nossa Suká. Como está Escrito:

“Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre, esta Suká se desfizer, temos de D’us um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos Céus.” 
(2 Coríntios 5:1)


     Dentre os costumes que realizamos em Sukot, temos a leitura do Sefer Kohelet (Eclesiastes), o que a princípio nos parece um tanto contraditório, pois, enquanto as Mitzivot de Chag Sukot são tão importantes e de muito valor para o ano todo, o Sefer Kohelet parece nos dizer que todo esse trabalho é vão! A Suká é uma morada temporária, e mesmo sendo temporária dá muito trabalho construir uma, e isso vale para tudo o que realizamos e conquistamos em nossa vida, apesar de todo tempo que dedicamos a realização de um sonho, apesar de todo o trabalho e esforço, no final das contas, o melhor que construímos é algo que depois de pronto tem que contar constantemente com fatos “sorte” para manter de pé, pois, o mundo que cerca é imprevisível e a qualquer momento alguma catástrofe natural ou incidente pode nos acometer e em minutos destruir o que levamos anos para construir – que D’us não o permita – por isso, para nós os judeus, o fator sorte é desprezível, para a nossa segurança e prosperidade buscamos a D’us através de Seus Mandamentos, desta forma, sabemos que mesmo estando em uma situação precária, se estamos protegidos por D’us, estamos melhor do que os reis em seus palácios, pois, grandes países foram e já não são, grandes líderes se levantaram e caíram, porém, nós, que na maioria das vezes contamos como habitação física apenas com nossos próprios corpos, ainda estamos aqui. O que nos leva a concluir por experiência própria que habitamos em D’us através do estudo de Sua Santa Torá e por isso somos um Povo Eterno, portanto, estudar a Torá, é realmente o que nos interessa, todo o resto é secundário, como está Escrito:



“E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Rabi Yeshua numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa, e tinha esta uma irmã chamada Miriam, a qual, assentando-se também aos pés de Rabi Yeshua, ouvia a Sua Palavra. Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixa servir só? Dize-lhe que me ajude.E respondendo Rabi Yeshua, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária (o Estudo da Torá), e Miriam escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” 
(Lucas 10:38-42)





     É também uma das grandes Mitzivot de Suká receber visitantes – HaUshpizin – na Suká. Quando fazemos isso, nos assemelhamos ao nosso pai Avraham que deixava  aberto os quatro lados de sua cabana para receber em sua casa as pessoas que passavam por ali vindas dos quatro cantos do mundo. Estudar a Torá é entrar na casa de D’us. D’us está a todo momento nos convidando para Cear junto com Ele, Sukot foi Ordenado para nunca nos esquecêssemos disso, portanto, quando estudamos a Torá, D’us nos recebe em Sua Casa, porém, quando construímos a nossa Suká, nós recebemos D’us na nossa. Isso nos ensina que devemos estar sempre pronto para Recebê-lo, não somente em Sukot, mas em todo o momento de nossas vidas, pois, assim como buscamos por Ele, Ele também busca por nós através de Seu Mashiach, como está Escrito:

  “Eis que Estou à porta, e bato; se alguém ouvir a Minha Voz, e abrir a porta, Entrarei em sua casa, e com ele Cearei, e ele Comigo.” 
“Apocalipse 3:20”





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Feliz Sukot 5773!