domingo, 9 de outubro de 2011

Sefer Tanya 5° Parte


Sefer Tanya 5° Parte

Após ter lido a quarta parte: http://judeusdecaruaru.blogspot.com/2011/10/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html
Daremos continuidade na apresentação do Sefer Tanya através do título:

Como louvar-se corretamente


     Ao descrever o juramento "seja justo, e não seja perverso", que é administrado à alma antes que ela venha a este mundo, nossos Sábios fornecem também conselhos sobre como atingir esta meta. A pessoa deve saber como elogiar-se adequadamente. Jamais deve considerar-se perfeita. "Mesmo que o mundo inteiro lhe diga como você é justo, considere-se perverso." Em geral, toda pessoa deveria estar consciente tanto de suas imperfeições quanto de suas boas qualidades. Embora não seja pecado para alguém que se aperfeiçoou saber que é justo, as conseqüências deste conhecimento podem ser perigosas. Nossos Sábios desaprovam o sentimento que resulta quando alguém escuta o mundo inteiro falar que ele é justo. Não faz diferença se "o mundo inteiro" refere-se a um círculo de amigos, ou se está se referindo ao próprio mundo interior - não tente se convencer que você é justo como resultado de seu sucesso em "afastar-se do mal e fazer o bem". Ao contrário, "considere-se perverso!"


Questões importantes


     Declarações de nossos Sábios que sejam difíceis de entender não deveriam simplesmente ser postas de lado como questionáveis. Deve se fazer uma tentativa para entender qual foi a intenção. Assim, Rabi Shneur Zalman escreve que a declaração "considere-se perverso" deve ser entendida. A dificuldade que o autor tem com esta declaração é que ela aparentemente contradiz outra declaração de nossos Sábios, "Não se considere perverso" (Avot 2:13). Claramente, declarações de nossos Sábios são todas verdadeiras, sendo "palavras do D'us vivo", e não podem contradizer uma à outra. Ao contrário, cada declaração deve aplicar-se a uma situação diferente, e como cada pessoa tem qualidades únicas e problemas individuais, somente uma dessas declarações é relevante para ele. Portanto, é nosso dever combinar o conselho adequado ao problema.
     Ao dar conselhos sua eficácia deve ser avaliada, e deveria também ser verificado que nenhuma conseqüência negativa resultará dele. No caso atual, é necessário avaliar que sentimentos e reações serão aquelas de alguém a quem se disse "considere-se perverso", apesar do fato de que ele não é uma pessoa comum, mas sim uma pessoa moralmente correta, uma pessoa de valor, alguém que é cuidadoso em todos os assuntos pertinentes à Torá e Mitzivot, e que é considerado justo. O observador atento notará que tal pessoa pode ter uma de duas possíveis reações: Ficará "triste e deprimida" ou "não se deixará perturbar, de forma alguma" por este auto-elogio. Rabi Shneur Zalman explica que ambas as reações são indesejáveis. Se uma pessoa leva a sério esta auto-avaliação, e sente que apesar de todos seus esforços ainda é perversa, então "ficará triste e deprimida, e não poderá servir a D'us com júbilo e com o coração contente." Como é bem conhecido, os mestres da Kabalá, e especialmente Rabi Yisrael Báal Shem Tov, fundador do Chassidismo, e seus discípulos, baniram completamente a depressão, pois a consideravam uma emoção profundamente feia. Conta-se que Rabi Aharon de Karlin dizia freqüentemente que embora a depressão em si não seja um pecado, pode jogar a pessoa a tais profundezas mais baixas que qualquer pecado poderia fazê-lo. Além disso, quando uma pessoa está deprimida, não pode cumprir sua obrigação de cumprir Mitzivot e estudar Torá com alegria.
     Evidentemente, a reação oposta pode às vezes ocorrer - uma pessoa que demonstra falta de interesse e apatia nos resultados de seu auto-elogio. Para que a instrução "considere-se como perverso" não o jogue num estado de depressão, ele toma a firme decisão de não ser afetado por esta auto-avaliação. Deve ser notado que esta atitude também é insatisfatória, pois "se ele não é jamais perturbado, isso pode levá-lo à irreverência, D'us não o permita." Todo judeu requer uma forte barreira separando-o do pecado. Se o fato de ele ser perverso não o incomoda em absoluto, é provável que se torne irreverente, e zombe de todos os valores judaicos. Tudo isso ocorrendo, por que deveriam nossos Sábios apresentar-nos a sugestão acima mencionada, que parece não ter efeito positivo algum sobre a pessoa?



A necessidade de definições claras


     Estes problemas que Rabi Shneur Zalman apresenta no início do primeiro capítulo do Tanya agem como uma introdução ao repensamento de toda a estrutura de nossas idéias. Mesmo conceitos tão simples e bem conhecidos como justo e perverso devem ser definidos adequadamente a fim de entendermos suas verdadeiras implicações. Com o conhecimento detalhado dos assuntos que serão discutidos nos próximos capítulos, veremos como são benéficas e exatas as declarações de nossos Sábios.


... continua ...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sefer Tanya 4° Parte


Sefer Tanya 4° Parte

Após ter lido a terceira parte: http://judeusdecaruaru.blogspot.com/2011/10/sefer-tanya-3-parte.html
Daremos continuidade na apresentação do Sefer Tanya através do título:
 
Administrando um Juramento à Alma


     O autor do Tanya escolheu começar este livro com a declaração de Nossos Sábios que trata da administração de um juramento ao judeu antes de ele nascer: "Aprendemos: Um juramento é administrado a ele [antes de nascer, encarregando-o]: 'Seja justo, não seja perverso; e mesmo que o mundo inteiro lhe diga que você é justo, considere-se perverso.'" Um judeu ganha o privilégio de fazer este juramento antes de sua entrada no mundo exterior. Este vem depois de um rico período de sua vida - nove meses no útero, durante os quais ele aprendeu toda a Torá. Embora todo este estudo de Torá seja esquecido quando da entrada do recém-nascido no mundo, pois Nossos Sábios declaram que um anjo dá um tapa na boca da criança, fazendo-a esquecer tudo que aprendeu, mesmo assim o juramento que fez permanece, e o acompanha por toda a vida. Assim sendo, devemos entender a natureza desse juramento. Qual é seu objetivo? Que benefícios resultam dele?





Um Pacto Eterno


     A administração de um juramento pode ser comparada a um pacto feito entre dois amigos que se amam muito, e desejam assegurar que sua amizade continuará para sempre. A vida é repleta de altos e baixos, e ninguém pode ter certeza de que as vicissitudes do tempo não trarão circunstâncias que enfraqueçam a amizade que os dois têm um pelo outro, e que logicamente pode até exigir que se corte todo o contato. Assim, para assegurar que isso não acontecerá, os amigos fazem uma aliança, ou pacto. Cada qual jura ao outro que sua amizade jamais faltará. Em virtude desse pacto, sua amizade é elevada do nível de amor forçado pelo intelecto (que depende das circunstâncias, e sobre as quais Nossos Sábios declararam: "Quando mudam as circunstâncias, o amor evapora") a um amor que está além das convicções intelectuais - isso é amor que não pode ser interrompido por coisa alguma.
     Uma situação similar aplica-se à alma. Como ela está acima, antes de descer ao corpo, a alma vivencia amor e reverência a D'us. No entanto, existe o temor de que quando a alma descer para tornar-se envolvida no corpo físico, e esteja distanciada de seu estado original, a experiência elevada de amor e reverência irão desaparecer. Além do mais, existe o perigo de que a alma irá sucumbir às sugestões e atrativos da alma animalesca pela qual ela se torna envolvida. Este é o motivo pelo qual um juramento é administrado à alma. Serve como um pacto entre a alma e D'us, desta forma nem mesmo as condições do novo mundo ao qual ela desce não podem impedi-la de aprender Torá e cumprir as Mitzivot.
     A diferença essencial entre uma resolução comum e a expressão de um juramento pode ser explicada enfatizando-se a importância dos juramentos. Os ensinamentos chassídicos explicam que o homem tem diversos poderes na alma, incluindo poderes que geralmente estão ocultos, mesmo da pessoa na qual eles existem, pois ele simplesmente não sente seu efeito. Em épocas de grande perigo estes poderes da alma podem se tornar revelados. De repente, uma pessoa é capaz de realizar atos que exigem tal força que normalmente seriam considerados além de sua capacidade. Assim, o perigo pode despertar e revelar poderes ocultos. Juramentos funcionam de maneira similar. Os juramentos geralmente são vistos pelas pessoas sob uma ótica muito séria. Alguém que não tenha o cuidado de dizer sempre a verdade dirá apenas a verdade quando estiver sob juramento, pois em virtude do juramento que fez, poderes ocultos da alma são revelados. Alguém que normalmente se esforça muito para cumprir sua palavra fará de tudo para cumprir um juramento.
     É por esses motivos que o homem é ordenado a fazer um juramento - "seja justo", a respeito de todos os mandamentos positivos, e "não seja perverso", quanto à estrita observância de todas as proibições. Devido à gravidade do juramento que fez, elevados poderes interiores da alma serão revelados, e fará todo esforço para superar os obstáculos.


Os Juramentos Satisfazem


     Vale a pena enfatizar que a palavra juramento, Sh’vuá em hebraico, está etimologicamente relacionada à palavra Savá, significando satisfação ou saciedade. A administração do juramento acima mencionado à alma, antes de sua descida ao mundo, sacia a alma, dotando-a de poderes elevados adicionais. Da mesma maneira que a pessoa se sente de bom humor quando se alimentou bem, e pode realizar seus deveres adequadamente, assim é também com a alma. Quando esta está saciada da maneira previamente mencionada, tem os poderes de dominar a má inclinação, o Tetzer HaRá, e a forçá-la ao reino da santidade. Isso sugere não apenas "afastar-se do mal e fazer o bem", como também purificar a grosseria do corpo físico, e retificar sua alma animalesca. Ele possui o poder de conseguir sucesso em assuntos de Torá e Mitzivot como indivíduo, e de transformar as trevas em luz no mundo em geral.

 ...  continua ...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Sefer Tanya 3° Parte


Sefer Tanya 3° Parte

Depois de ter lido a segunda parte: http://judeusdecaruaru.blogspot.com/2011/10/sefer-tanya-2-parte.html
Daremos continuidade na apresentação do Sefer Tanya, através do título:
 
Em troca da audiência privada


     Yechidut - audiência privada com o Rebe - é de fundamental importância no mundo da Chassidut. O Chassid entra na sala do Rebe, entrega-lhe um "balanço", delineando seu status espiritual no momento segundo sua opinião, e pede orientação e bênçãos em seu serviço de D'us. Grandes Chassidim se preparavam por meses, até mesmo anos, para este encontro tão desejado. Aquilo que se esperava do Chassid era deixado bem claro, e ele se devotaria a seu serviço Divino com todas as forças de sua alma, a fim de colocar em prática os conselhos do Rebe.
     Durante muitos anos, Rabi Shneur Zalman recebeu seus Chassidim em audiência privada. As perguntas que ele respondia eram múltiplas, e cobriam todo o espectro da vida judaica; cada pessoa era ajudada com seus problemas espirituais e dificuldades no serviço de D'us.
     Naturalmente, cada indivíduo exige suas próprias soluções pessoais, e embora os problemas de duas pessoas possam ser idênticos, as soluções devem ser específicas, dirigidas àquele indivíduo em particular. Os conselhos que precisa receber ajudando-o a superar seus problemas devem ser particularmente adequados as suas necessidades. Apesar dessa dificuldade, Likutei Amarim é essencialmente uma tentativa de colecionar, por escrito, todos os conselhos que Rabi Shneur Zalman deu a seus Chassidim. Fornece soluções a todos os problemas que um judeu possa enfrentar em seu serviço ao Criador.
     Assim, em sua introdução à obra, intitulada "Prefácio dos Compiladores", o autor explica que como não é mais possível para ele responder a todos individualmente e em detalhes a seus problemas específicos e, além disso, como o esquecimento é comum, "Registrei portanto todas as respostas a todas as perguntas, para serem preservadas como uma tabuleta, e para servir como um lembrete a todos, para que não mais pressione para uma audiência particular comigo."


As limitações da palavra escrita


    Como alguém que compreende intimamente seus Chassidim, Rabi Shneur Zalman estava consciente de que eles não aceitariam facilmente um livro em troca de uma audiência privada. De fato, em seu "Prefácio dos Compiladores", o autor explica a que ponto ouvir instruções éticas diretamente numa audiência é superior a vê-las em livros. No entanto, ele enfatiza que há uma distinção, embora sutil, entre instruções éticas e orientação no serviço de D'us. O livro que ele apresenta aos Chassidim é diferente de livros sobre instrução moral, pois este é um livro de conselho ou orientação, que podem também ser recebidos na forma escrita.
     Rabi Shneur Zalman explica que instrução ética escrita não terá o mesmo efeito sobre a pessoa que ao ouvi-la diretamente de seu professor, embora as palavras sejam idênticas. Pois o poder dos ensinamentos éticos não está apenas na sabedoria e opiniões nele ocultas, mas basicamente no esclarecimento que proporcionam. Uma pessoa que lê um livro absorve o conteúdo segundo sua maneira de servir a D'us, e segundo sua capacidade mental e entendimento. Se sua mente está confusa, ou se vagueia no escuro em seu serviço de D'us, não conseguirá perceber a luz oculta no livro. Isso não ocorre, porém, quando uma pessoa viaja até seu mestre e leva os problemas a ele. O professor, conhecendo a alma do aluno, se esforçará para encontrar o caminho até seu coração, de modo que suas palavras iluminem o discípulo, despertem-no e o influenciem. Assim, de fato, ouvir instrução ética diretamente numa audiência privada é bastante superior a vê-la nos livros.


Orientação e Ética


     Rabi Shneur Zalman assim expressa e dá credibilidade ao argumento que poderia ser esperado dos Chassidim que ficariam tristes ao trocar uma audiência privada por um livro. No entanto, frisa ele, há uma clara distinção entre instrução moral e orientação no serviço de D'us. O último não tenta provar nada, nem doutrinar nem convencer o leitor. Aqueles que estão interessados em procurar orientação são apresentados à solução adequada para seus problemas, sem qualquer tentativa de convencê-los a aceitá-la. É dever do indivíduo fazer o esforço para colocar o conselho em prática. Portanto, conclui o autor, os conselhos também podem ser dados por escrito. Esta, então, é a natureza singular do Tanya - um volume que oferece soluções a todos os problemas que tendem a incomodar aqueles que buscam devotar-se ao serviço de D'us. Evidentemente, como aquele que busca ainda não aprendeu todo o Tanya, estando portando inconsciente de toda a gama de problemas e suas soluções, ele pode ter dificuldade em encontrar o local exato no livro que trata de seu problema específico. Portanto, Rabi Shneur Zalman escreve que esta pessoa deveria "discutir seu problema com os eruditos mais destacados de sua cidade, e eles o solucionarão para ele." Apesar disso, em princípio, receber conselhos do Tanya é tão benéfico quanto recebê-los do próprio Rebe.


... continua ...

domingo, 2 de outubro de 2011

Sefer Tanya 2° Parte


Sefer Tanya 2° Parte
Depois de ter lido a primeira parte: http://judeusdecaruaru.blogspot.com/2011/10/sefer-tanya-1-parte.html
Daremos continuidade na apresentação do Sefer Tanya, através do título:
Exílio Espiritual

     Quando o Tanya foi mostrado pela primeira vez a Rabi Levi Yitzchaq de Berditchev, ele expressou sua admiração tanto pelo livro quanto pelo autor: "É um milagre" - disse ele - "que o autor tenha conseguido encerrar um D'us tão poderoso e impressionante num volume tão pequeno!" É por esse motivo que esta obra básica da Chassidut de Chabad tem recebido tanta reverência, sendo chamada de "O Sagrado Tanya" por todos.
     Durante quarenta anos Rabi Shneur Zalman de Liadi absorveu os ensinamentos de seus mestres, tanto nos aspectos revelados quanto ocultos da Torá, até que eles se tornaram parte de sua essência. Nos dez anos seguintes, no Shabat antes de Rosh Chôdesh, e nos Dias Festivos, ele ensinou em público aquilo que tinha aprendido de seus professores. Assim o Tanya começou a tomar forma.
     Estes ensinamentos foram originalmente registrados de memória por alguns dos discípulos de Rabi Shneur Zalman, e circulavam no formato de panfletos. No entanto, devido aos muitos erros que inevitavelmente apareciam nos manuscritos, e especialmente porque alguns eram alterados por aqueles que se opunham aos caminhos da Chassidut, Rabi Shneur Zalman finalmente decidiu publicar seus ensinamentos no formato impresso. Isso se provaria como sendo um benefício à sua própria geração, bem como das gerações futuras.

A Estrutura do Tanya


     O Tanya é conhecido como o Shulchan Aruch da Chassidut Chabad. Correspondendo ao Shulchan Aruch, o Tanya também é dividido em quatro partes: A primeira seção do Tanya, Likutei Amarim, "Coletânea de Ensinamentos", corresponde à primeira parte do Shulchan Aruch, Orach Chaim. A segunda seção, Sha'ar Ha'Yichud VeHaEmunah, "O Portal da Unidade e Crença" - corresponde à segunda seção do Shulchan Aruch, Yoreh De'ah. A terceira seção do Tanya, Iguêret Ha'Teshuvá, "Carta de Arrependimento" - é comparada a Even HaEzer, e a quarta parte do Tania, Iguêret HaQôdesh, "Carta Sagrada", é conhecida como a Choshen Mishpat dos ensinamentos chassídicos.
     A orientação para o serviço diário de um judeu ao Todo Poderoso, serviço este permeado por amor e reverência a D'us, é o tema central de Likutei Amarim. Nos cinqüenta e três capítulos que compreendem esta seção do Tanya, Rabi Shneur Zalman sistematiza os conselhos que tinha dado a seus inúmeros discípulos e seguidores no decorrer dos anos. Aqui, revelada ante nossos olhos, está uma maravilhosa tapeçaria de idéias sobre o mundo e sua natureza, sobre o judeu e a composição de sua alma, e sobre o elevado status das Mitzvot da Torá e seu relacionamento com o mundo físico.
     O conteúdo da seção seguinte do Tanya é sugerido por seu nome, Sha'ar Ha'Yichud VeHaEmunah, "O Portal da Unidade e Crença". Em seus doze capítulos, aprendemos sobre a crença como é compreendida no pensamento chassídico. Aprendemos sobre o Criador e Seu mundo, e como o Eterno, Bendito seja, cria Suas criaturas, e como Ele continuamente as sustém. Aprendemos como a existência de todos os seres criados é anulada em relação a Ele.
     Nos doze capítulos de Iguêret Ha'Teshuvá, bem como o aprendizado sobre os princípios fundamentais do arrependimento, que são expressos no abandono do caminho do pecado, aprendemos também sobre como um homem pode retificar os danos que suas ações negativas causaram.
     Os trinta e dois capítulos de Iguêret Ha'Qôdesh discutem assuntos relacionados ao serviço do homem a D'us por meio do estudo da Torá, prece, caridade e ética. Kuntres Acharon, o "Tratado Definitivo", com o qual se encerra o Tanya, é uma análise penetrante dos conceitos cabalísticos que foram mencionados na primeira seção do Tanya, Likutei Amarim.


A Torá Escrita


     Em geral, o Tanya é considerado como a "Lei Escrita" da filosofia chassídica. O motivo para isso não é somente porque cada expressão é absolutamente precisa em seu significado, mas também porque cada palavra, e até mesmo cada letra, foi cuidadosamente pesada e considerada antes de ser escrita. Está registrado que Rabi Shneur Zalman certa vez disse a seu irmão, que o encontrou à escrivaninha, profundamente mergulhado em reflexão: "Esta é a terceira semana consecutiva que estou analisando esta palavra específica, debatendo se coloco ou não um 'e' antes dela!"
     O Tanya foi escrito para todo judeu, e é considerado o pão de cada dia para um Chassid. O Rebe Anterior, Rabi Yossef Yitzchaq Schneersohn, que sua alma descanse no Gan Eden, lembrou que certa vez quando seu pai começou a estudar o Tanya com ele, explicou: "O Tanya é como o Chumash, os cinco livros da Torá. Todo judeu, do mais notável até o mais simples - todos eles aprendem Chumash, e cada um tenta entender aquilo que pode. Mas na verdade, ninguém entende por completo, e quanto maior a pessoa, mais sabe o quanto está longe do entendimento."
     Rabi Hillel de Paritsh, um dos mais notáveis discípulos do autor, declarou: "Ao ensinar o alfabeto a uma criança de três anos, se a pessoa ensinar a partir do Tanya, com certeza ele não será um ateu. E um devoto total...? Certamente!"
     Além de suas profundezas intelectuais, deve-se enfatizar os outros maravilhosos benefícios do Tanya, que se expressam tanto em assuntos espirituais quanto materiais. Quem reza pedindo para ter filhos será abençoado, se estabelecer horários regulares para o estudo do Tanya; ler este livro é benéfico para fortalecer os olhos; aprender o Tanya de cor purifica a atmosfera espiritual do mundo, retifica os pecados da juventude, fortalece a memória e impede que se tenha dúvidas nos assuntos da fé.


A Página Título


     O Tanya se inicia com a página título da primeira seção do livro, Likutei Amarim, "Coletânea de Ensinamentos". A página título da obra não é apenas um prelúdio ao seu conteúdo - ela, também, é considerada uma parte integral dos ensinamentos do Tanya. O ilustre neto do autor, o Tzemach Tzedeq, explicou longamente a página título, palavra por palavra, a seu filho, Rabi Shmuel, mais conhecido como o Maharash. Por sua vez, quando Rabi Shmuel começou a estudar o Tanya com seu filho, que se tornaria o Rebe Rashab, ele explicou as intenções do autor na página título, a respeito do serviço do homem a D'us.
     Quando Rabi Shneur Zalman escreveu a página título, ali encerrou o conteúdo e a essência de todo o livro. Aqui, aprendemos sobre o título da obra, sobre as fontes das quais o material foi coletado, e sobre um princípio fundamental - que a obra é relevante para cada judeu.
     É geralmente aceito nas Escrituras que o nome de uma pessoa ou local é indicativo da natureza de sua existência, seu caráter ou sua composição. Se o objeto à nossa frente pode ser visto sob vários ângulos diferentes, adquire diversos nomes. Portanto, Rabi Shneur Zalman chama a primeira parte de sua obra por dois nomes: "Likutei Amarim (Coletânea de Ensinamentos), que é intitulado Sefer Shel Benonim."


Coletânea de Conselhos


     A primeira parte do título, Likutei Amarim, expressa a natureza prática dessa obra. Da mesma maneira que autoridades publicam responsa - soluções para problemas que surgiram em assuntos relacionados à A Lei Judaica - assim também a primeira parte do Tanya é uma coleção de soluções para problemas no serviço de D'us - conselhos que Rabi Shneur Zalman ofereceu durante muitos anos a milhares de seus discípulos que abriam o coração para ele. Assim, o título escolhido pelo autor retrata com maestria sua intenção - "responder com palavras de verdade àqueles que buscam seu conselho" como declara o verso em Mishlê (22:21).
     Claramente, esta obra não foi publicada para aumentar a fama do autor, pois ele deu-lhe o título despretensioso de "Coletânea de Ensinamentos", alegando que ele tinha meramente juntado e coletado os ensinamentos de outros. Ao contrário, sua intenção era beneficiar os membros de sua própria geração, e as gerações vindouras.
     A segunda parte do título, Sefer Shel Benonim, expressa a meta desta obra - ajudar uma pessoa a tornar-se um Benoni, a pessoa "intermediária". Segundo o Tanya, uma pessoa é descrita segundo os poderes de sua alma interior, não segundo seu comportamento exterior e suas ações. O nível de um Tzadiq, alguém perfeitamente justo, é extremamente elevado, e não pode ser exigido de todos. De modo oposto, "o nível de Benoni pode ser atingido por qualquer pessoa, e todos deveriam se esforçar para atingi-lo." O Tanya possibilita a cada pessoa tornar-se um Benoni, e a orienta rumo a este objetivo. Este é o âmago da expressão freqüentemente usada pelos Chassidim: "Oh, ser pelo menos um Benoni."
     Característico de sua grande humildade, Rabi Shneur Zalman declara que o livro à frente do leitor é "coletado de livros sagrados, e de mestres com inspiração celestial" - como se não houvesse nada de novo em seus ensinamentos, somente aquilo que foi reunido e extraído de outras fontes. O termo, "livros sagrados", refere-se especificamente às obras do Rambam, aos escritos do Maharal de Praga, e ao Shelah - Shenei Luchot Ha'Berit - de Rabi Isaiah Hurwitz. Os professores de "inspiração celestial" a que o autor se refere são principalmente o Báal Shem Tov, o Maguid de Mezeritch e Rabi Menachem Mendel de Vitebsk, de quem Rabi Shneur Zalman foi colega e aluno.


"Pois está perto de você"


     Rabi Shneur Zalman apoiou toda a obra no versículo "Pois isso está muito perto de você" (Devarim 30:14). O autor nos guia ao longo de uma larga trilha no serviço de D'us, de uma forma que Torá e Mitzvot não são difíceis de cumprir, nem distantes da pessoa. Ao contrário, são amadas por ela e próximas do seu coração. Obviamente, nem todas as pessoas são feitas do mesmo molde. No entanto, o Tanya fala para cada um - para a pessoa comum, para aquela cuja conduta passada não era desejável, e também para aquela que já atingiu um nível espiritual elevado.
     O autor enfatiza que explicará com clareza "como está muito próximo de você, em um longo e curto caminho." Rabi Shneur Zalman nos mostra dois caminhos no serviço Divino. Um, o "caminho curto", é especificamente para aqueles cuja compreensão no conhecimento de D'us é limitada. Para eles, o autor oferece o despertar do amor natural, latente, que está enterrado no coração de todo ser humano. O segundo, "caminho longo", oferece uma trilha para servir a D'us com amor e reverência, que são conseguidas por extenuantes esforços intelectuais e muita meditação sobre a grandeza do abençoado Infinito Criador.
     Os Chassidim explicam que ao definir o Tanya como "um caminho curto e longo", a metodologia de Chassidut Chabad cobre uma vasta área de assuntos que, além do conhecimento em si, exigem grande esforço pessoal e serviço árduo. Embora o caminho sugerido por Rabi Shneur Zalman seja longo por si mesmo, mesmo assim é também um caminho curto, pois é o método mais eficaz de entrar no santuário interior.


http://www.chabad.org.br/tora/cabalaterapia/indice5.html

Sefer Tanya 1° Parte


Sefer Tanya 1° Parte

      Iniciamos mais um ciclo anual cujo objetivo é nos levar a cada instante para mais perto do Olam HaBá – O Mundo Vindouro, o Reino de Mashiach, onde tudo será Perfeito e Bom. Portanto:
Feliz 5772!!!
     E para abrir a temporada de postagens desse ano, iniciarei com uma seqüência de postagens que nos falará um pouco sobre mais uma pérola do Mundo Judaico: O Sefer Tanya.
     Mas antes de falar sobre a obra, falarei um pouco sobre o autor:


     O 1º REBE – Rabi Shneur Zalman – O Alter Rebe e o Fundador do Movimento Chassídico Chabad. Nasceu em 18 de Elul, 5505 (1745) e faleceu em 24 de Tevet, 5573 (1812).
     Poucos luminares na história judaica, especialmente nos tempos modernos, fizeram uma contribuição tão profunda e duradoura à nossa herança espiritual como Rabi Shneur Zalman. Suas obras abrangem todo o espectro do pensamento judaico – misticismo, filosofia, psicologia, ética e Lei – e representam uma expressão de um gênio criativo sem paralelos.

 
Os Primeiros Anos


     O surgimento e expansão do Movimento Chassídico foram rápidos. Sob o lema de “D’us quer o seu coração” (Rachmonoh liboh boey), os líderes deste genuíno renascimento recuperaram a felicidade da fé judaica para o homem comum. Nele e através dele, até mesmo judeus camponeses, mercadores, operários e artesãos se encontraram no cálido abrigo do Universo da Torá, do qual tinham sido excluídos por causa de sua limitada erudição. Não sendo mais forçados a considerarem sua religião como um “Paraíso Perdido”, eles absorveram avidamente a mensagem inspirada da Torá no nível emocional projetado para eles pelo Chassidismo.

     Uma dos maiores personalidades chassídicas foi Rabi Shneur Zalman de Liadi, que mais tarde ficaria famoso como o Rav (professor). Este santo homem foi o fundador do Chassidismo de Chabad, um movimento que se desenvolveu em um dos ramos mais fortes e dinâmicos do Chassidismo. Este movimento, fundado na Lituânia em 5533 (1773), cresceu muito além das fronteiras deste outrora forte centro de vida judaica, e conquistou adeptos entusiastas em todo o mundo.
     Rabi Shneur Zalman era um descendente direto do Maharal de Praga. Seu bisavô viveu numa aldeia em Posen. A família mudou-se para a região leste, vagando entre a Galícia e a Polônia, e finalmente se estabeleceu em Vitebsk, na época um florescente centro de Torá e erudição talmúdica.
Foi ali que o pai de Rabi Shneur Zalman, Rabi Baruch, nasceu e foi criado no espírito e tradição do estudo. Posteriormente ele se mudou para Liozna, perto da cidade de Lubavitch, que se tornaria famosa como base da dinastia dos descendentes do Rav. Ali nasceu Shneur Zalman. Ali, também, ele recebeu suas primeiras letras, e desde a mais tenra idade ele demonstrou um brilhantismo invulgar, diligência e devoção aos estudos.
Para desenvolver ainda mais a erudição do filho, Rabi Baruch levou-o a um renomado professor daquela época, Rabi Yissachar Ber de Kobilnik, que residia em Lubavitch. Sob a tutela de Rabi Yissachar, o jovem erudito atravessou “o mar do Talmud” em todas as direções, e familiarizou-se com a Cabalá, o lado esotérico da tradicional sabedoria de Torá. Em seu tempo livre o rapaz tentava aumentar ainda mais seu conhecimento através do estudo de ciências e matemática. Não demorou muito e Rabi Yissachar Ber comunicou a Rabi Baruch, o orgulhoso pai de seu aluno: “Não há mais nada que eu possa ensinar a seu filho: ele me ultrapassou.” Rabi Baruch então levou Shneur Zalman a Vitebsk. O menino, com doze anos, foi imediatamente reconhecido como gênio, e aceito como igual pelos maiores eruditos da cidade.



Casamento

      Um homem abastado escolheu Shneur Zalman como genro e passou a sustentá-lo, para que ele pudesse devotar sua atenção exclusiva ao estudo de Torá. Numerosas histórias sobre aqueles anos atestam a sede insaciável de conhecimento de Rabi Shneur Zalman. Sua sagacidade e proficiência como erudito lhe granjearam admiração de todos que entravam em contato com ele. Aos vinte anos, ele jovem brilhante, com o consentimento da esposa, deixou o lar e a família para preencher uma ânsia em sua alma. Apesar de todo o ser conhecimento, ele sentia que estava faltando um elemento de experiência religiosa que não poderia ser captada na solidão das quatro paredes de seu próprio estúdio. Dois centros de estudo e liderança judaica competiam por sua atenção: Vilna, a principal base da erudição talmúdica e a fortaleza da oposição ao Movimento Chassídico que crescia rapidamente; e Mezeritch, onde vivia Rabi Dovber, o famoso Maguid de Mezeritch, herdeiro da ideologia de Rabi Israel Báal Shem Tov e da liderança do Movimento Chassídico. Desde o início, Rabi Shneur Zalman percebeu que a atmosfera discreta e racionalista de Vilna e seus eruditos, liderados pelo Gaon Rabi Elijah, não podia lhe oferecer aquilo que estava buscando. Como um aclamado erudito de Torá, Rabi Shneur Zalman sentia que sua necessidade não era de instrução talmúdica, mas de orientação no serviço a D’us (avodá). Portanto, decidiu tentar Mezeritch, onde um novo mundo o chamava. Um mundo – dizia-se – que ensinava seu povo a rezar. Cheio de esperança e expectativas, porém com poucos recursos materiais, ele empreendeu a longa viagem. Para pagar suas despesas, fazia quaisquer serviços que aparecessem, cortarndo madeira e trabalhando na lavoura. Mesmo assim, teve de fazer a pé a maior parte do percurso até Mezeritch.
  
Mestre das Dimensões Reveladas e Ocultas


     A primeira impressão do círculo de discípulos reunidos sobre Rabi DovBer de Mezeritch não foi muito encorajadora para Rabi Shneur Zalman. Ele tinha esperado uma grande academia repleta de personalidades brilhantes, eruditos e sábios. Em vez disso, ele encontrou um grupo de pessoas discretas que, à primeira vista, pareciam possuir pouco que valesse a pena pesquisar. Também não foi particularmente inspirado pelas piedosas admoestações que o Maguid de Mezeritch endereçava à multidão que se reunia em sua sinagoga. Ele estava se preparando para sair, quando seus olhos se abriram para a verdadeira natureza do mestre e seu círculo mais chegado. Rabi Shneur Zalman tinha decidido prestar seus respeitos ao Maguid antes de voltar para Liozna. Ele entrou na casa do mestre e ficou no meio da multidão, quando Rabi DovBer o avistou. Seus olhos se fixaram nas profundezas do abismo da própria alma de Shneur Zalman, explorando e avaliando cada uma de suas qualidades.
Após alguns minutos de um silêncio repleto de significado, o mestre não apenas lhe disse o que estava em sua mente, mas sem sequer ter sido indagado, deu a Shneur Zalman respostas simples, mas convincentes, a algumas perguntas que o jovem erudito tinha preparado para assegurar-se do valor do mestre. Profundamente impressionado, Rabi Shneur Zalman implorou para ser admitido no seleto círculo de discípulos de Rabi DovBer. Agora um novo mundo se desenrolava perante os olhos ávidos do erudito vindo de Liozna, à medida que ele absorvia as palestras diárias do Maguid sobre os ensinamentos do Báal Shem Tov. Na companhia de rabinos de grande renome, ele mergulhava no âmbito das relações sagradas que unem D’us, Israel, a Torá e o mundo em um sistema insolúvel de escopo universal.
     O filho de Rabi DovBer, Rabi Abraham, que pela sua santa conduta mereceu o título de “o Anjo” (Malach), foi seu guia até esta esfera elevada de sabedoria e conhecimento. Por sua vez, Rabi Shneur Zalman instruiu-o no âmbito da Halachá – a parte mais importante da literatura talmúdica e rabínica sobre a Lei Judaica. Assim, o jovem Rav absorveu os fundamentos do Chassidismo e satisfez a ânsia de sua alma que o tinha afastado de seu lar e da família. Ele jamais se arrependeu de ter escolhido Mezeritch em vez de Vilna. A princípio, Rabi Shneur Zalman desfrutou pouco prestígio entre os seguidores estabelecidos do Maguid, até que certo dia Rabi DovBer revelou as extraordinárias qualidades do Rav, e revelou-o como uma “luz em Israel”. Ele instruiu Rabi Shneur Zalman, então com vinte e cinco anos, a reescrever o Código da Lei Judaica de maneira a incluir as decisões mais recentes. Mal tinham se passado duzentos anos desde que Rabi Yossef Caro publicara sua obra prima, o Shulchan Aruch, e durante todo este período gerações de codificadores e comentaristas judeus – chamados “Acharonim” – tinham acrescentado e elucidado aquilo que teria sido a palavra definitiva na discussão da Lei Judaica. Rabi Shneur Zalman deu total consideração a estes duzentos anos de comentários no Shulchan Aruch, e por meio de cuidadosa edição, ele apresentou o Código da Lei Judaica de forma precisa e acessível. Esta, obviamente, foi uma tarefa das mais difíceis. Porém a obra foi cumprida de maneira tão magistral, que Shneur Zalman foi certa vez aclamado como um dos maiores eruditos de seu tempo, não apenas pelo mundo chassídico, mas por eruditos de todas as esferas.



 Fundador de Chabad-Lubavitch


     Após a morte de Rabi DovBer em 19 de Kislêv de 5533 (1772), seus discípulos se separaram. Cada um abraçou a tarefa de propagar o Chassidismo no país que lhe fora designado. Rabi Shneur Zalman herdou a mais difícil de todas as missões. Ele deveria capturar a fortaleza dos que se opunham à divulgação do Chassidismo na Lituânia, para a ideologia e modo de vida chassídico. Isto ele faria, primeiro, junto com Rabi Menachem Mendel de Vitebsk, e após a partida deste para Israel, por si mesmo. Um homem de menor estatura como talmudista não poderia ter aceitado tamanha missão, pois a oposição incluía alguns dos mais ilustres eruditos da época. Porém Rabi Shneur Zalman estava bem equipado para enfrentá-los em seu próprio terreno. Suas tentativas para encontrar-se com o Gaon Rabi Elijah foram duramente rejeitadas. Apesar disso, ele continuou sua obra sem diminuir o zelo. Para surpresa de seus contemporâneos, tanto amigos quanto oponentes, ele foi bem-sucedido a um ponto considerado impossível.
     Rabi Shneur Zalman não era um sonhador que vivia nas nuvens, mas um verdadeiro líder completamente cônscio das necessidades materiais de seus irmãos de fé, assim como de suas falhas espirituais. Sua extensa obra em prol do bem-estar econômico de seus irmãos é um capítulo em si mesma. O espaço permite apenas uma breve menção de alguns de seus notáveis esforços neste campo.
     O interesse do Rav pelos seus irmãos estimulou-o a agir logo após seu casamento. Ele começou uma campanha para induzir mais judeus a se estabelecerem em fazendas para trabalhar a terra. Rabi Shneur Zalman devotou a esta causa não somente seus esforços, mas todo o seu dote.
A partir do ano 5532 (1772), Rabi Shneur Zalman engajou-se num extenso plano para induzir grande número de judeus que moravam na fronteira russo-polonesa a se mudarem mais para o leste, no interior da Rússia, onde as oportunidades de vida econômica eram mais promissoras.
Rabi Shneur Zalman também se devotou a atividades para angariar fundos visando a apoiar os novos assentamentos chassídicos estabelecidos em Israel. No entanto, seus esforços foram subseqüentemente distorcidos pelos seus oponentes, que o caluniaram e denunciaram ao governo russo, acusando-o de enviar fundos para o governo turco. O relacionamento entre os dois países estava estremecido naquela época. Quando um decreto foi emitido em 5568 (1808) para a expulsão dos judeus vivendo em áreas rurais e em fazendas, privando milhares de famílias judaicas de seus meios de subsistência, Rabi Shneur Zalman empreendeu uma extensa jornada para levantar fundos em toda a Rússia, com a idéia de resolver emergências e criar os meios para a reabilitação destes desafortunados.
Esta obra teve continuidade, além de aconselhar e orientar seus milhares de seguidores, que se voltavam para ele em todos os seus complicados problemas. Durante os anos de esforços para a melhoria da vida espiritual e condições econômicas de seus irmãos de fé, o Rav desenvolveu sua magnífica filosofia do Chassidismo de Chabad. Das pessoas que o procuraram após seu retorno a Liozna, ele exigiu muito mais que o apoio irrestrito exigido pelas outras escolas de pensamento chassídico. As pessoas centralizavam sua ideologia no justo “Tzadiq” como alguém que possuía poderes sobrenaturais, mas ele apresentava a idéia do Tzadiq como líder espiritual, um mestre em vez de um fazedor de milagres. O chassid deveria treinar-se para uma vida de fé e serviço a D’us, que o levaria ao nível mais elevado de Chabad, os três poderes do intelecto: Sabedoria, Entendimento e Compreensão (Chochmah, Binah e Daat), formando um vínculo entre Céu e Terra.
     Sobre esta filosofia básica, Rabi Shneur Zalman construiu a estrutura da ideologia Chabad. O homem completo serve a D’us com a mente, coração e ação em uníssono, cada um complementando o outro. A mente entende, o coração sente e a mão realiza.
     A substância dos ensinamentos de Rabi Shneur Zalman pode ser encontrada em sua contribuição mais importante para a literatura rabínica, o Likutei Amarim, mais conhecido como o Tanya, após as primeiras palavras dessa exposição. Esta obra contém um esboço conciso de seu sistema filosófico como estilo de vida, e atesta sobre seu vasto conhecimento e sobre a profundidade de seu entendimento e domínio dos ensinamentos esotéricos e exotéricos de nossos Sábios.
     O Tanya tem sido, e ainda é, um texto sagrado para os milhares de seguidores de Chabad. É religiosamente estudado e memorizado tanto pelos jovens quanto pelos mais idosos membros do Movimento Chabad, e parece inexaurível em todo nível de abordagem e interpretação. Rabi Shneur Zalman, o Báal HaTanya, conhecido aos seguidores de Chabad como o Alter Rebe, também foi autor de muitas outras obras, clássicos da literatura de Chabad.



 
O Tanya


     Alter Rebe originalmente publicou apenas as primeiras duas partes do Tanya em 5557 (1797). A seguir, comentaremos a publicação das partes remanescentes do Tanya. Há duas versões de Iguêret HaTeshuvá (Parte III) bem como duas de Licutê Amarim (Parte I). Entretanto, ao contrário de Licutê Amarim que o Alter Rebe meramente editou na versão final, Iguêret HaTeshuvá foi completamente reescrito. Iguêret Hateshuvá também foi originalmente copiado a mão em 5552 (1792) em forma de panfleto. Há boas razões para acreditar que o Alter Rebe o escreveu antes das outras partes do Tanya. Entretanto, não o imprimiu junto com Licutê Amarim em 5557 (1797). Dois anos depois, em 5559 (1799), um Chassid do Alter Rebe, que vivia em Zolkiev (Romênia), decidiu, por si mesmo, reimprimir o livro sob o título de Tanya. Também adicionou a ele a versão original de Iguêret HaTeshuvá. Acredita-se que este Chassid não pediu nem recebeu permissão para acrescer o Iguêret HaTeshuvá; mais ainda, não tinha permissão para imprimir qualquer parte do Tanya. A razão é que o Alter Rebe escreveu no Prefácio que ninguém seria autorizado a reimprimir o livro nos cinco anos seguintes. Este Chassid e os rabinos de Zolkiev que deram sua aprovação e encorajamento para imprimir o livro acreditavam que a proibição do Alter Rebe para reimprimi-lo (como Reb Zusha escreveu claramente em sua Aprovação) era apenas para evitar que o editor original sofresse perda financeira (o editor investira muito tempo e dinheiro na preparação das páginas para a impressão). Entretanto, em Zolkiev, era proibido importar qualquer livro impresso na Rússia. Assim, não podiam comprar o livro do editor russo e sentiram que não lhe causariam qualquer dano monetário se eles mesmos o publicassem. A presente versão de Iguêret HaTeshuvá foi primeiro publicada como a terceira parte do Tanya pelo Alter Rebe em 5566 (1806), na cidade de Shklov. Não sabemos quando o Alter Rebe realmente o reescreveu, mas sabemos (pelo Rebe Rashab – 5º Rebe de Chabad) que foi reescrito depois que o Alter Rebe foi libertado da prisão. O Rebe Rashab explica que é por isso que Iguêret HaTeshuvá é tão diferente de outros livros sobre assuntos de ética e arrependimento. Sua forma final surgiu depois da libertação da prisão, quando o Alter Rebe recebeu permissão para difundir os mananciais de Chassidut ainda mais do que antes. Ele, portanto, explicou e elaborou conceitos profundos de Divindade em Iguêret HaTeshuvá.

     Iguêret HaQôdesh e Cuntrês Acharon (Partes IV e V) foram coletados e publicados pelo segundo Rebe e seus irmãos em 5574 (1814), no vigésimo-segundo dia de Iyar, um ano e quatro meses após o falecimento do Alter Rebe. Pela primeira vez, o nome do autor foi impresso na página de rosto.

     Em sua Aprovação, escreveram que incluíram apenas [algumas daquelas cartas] cujos manuscritos originais do Alter Rebe tinham em seu poder, para que não houvesse erros no translado. Muitas das cartas falam da importância de doar Tzedacá (caridade), especialmente aos judeus em Êretz Yisrael. As outras cartas inspiram a estudar, orar e cumprir Mitzvot. O Alter Rebe escreveu tais cartas durante muitos anos e elas foram organizadas por tópicos, em vez de ordem cronológica. Por exemplo, a primeira carta foi escrita dez anos antes da segunda, redigida após sua libertação da prisão em 5559 (1799), e as cartas nº 27 e nº 29 foram escritas em 1788-89, na mesma época d a primeira carta. Das 32 cartas, nem todas foram escritas realmente como tal. O Alter Rebe escreveu o que é chamado de carta nº 20 como uma exposição chassídica, uma semana antes de falecer. O Alter Rebe escreveu Cuntrês Acharon enquanto trabalhava no Tanya. Nos nove títulos ele explica e esclarece muitos pontos encontrados no Tanya. O Rebe Anterior escreve que há quatro partes no Tanya, contando Iguêret HaQôdesh e Cuntrês Acharon como uma só. Essas correspondem às quatro partes do Shulchan Aruch:

• Ôrach Chayim = Licutê Amarim
• Yorê Deá = Sháar Hayichud Vehaemuná
• Êven Haêzer = Iguêret HaTeshuvá
• Chôshen Mishpat = Iguêret HaQôdesh e Cuntrês Acharon

     Em outras ocasiões, consideramos Iguêret HaQôdesh e Cuntrês Acharon como duas entidades separadas, formando, portanto, cinco partes no Tanya. Estas cinco então corresponderiam aos Cinco Livros da Torá.

     O Rebe explicou que Cuntrês Acharon pode ser comparado ao Chumash Devarim (o quinto livro do Pentateuco), chamado Mishnê Torá, que revê e detalha muitas leis da Torá. Cuntrês Acharon, de maneira similar, explica muitas partes do Tanya. Podemos portanto considerá-lo como sendo a parte oral da Torá escrita.



Genealogia


     Antepassados: Hagaon Marana Verabana Yehuda Loewy, zatz'al, conhecido como o Maharal de Praga, descendentes daqueles Gaonim, chegando até David, filho de Yishai (Rei de Israel).

     Os descendentes do Maharal foram: 1) Seu filho, Harav Betzalel; 2) Seu filho, Harav Shmuel, 3) Seu filho, Harav Yehuda Leib; 4) Seu filho, Harav Moshê; 5) Seu filho, Harav Shneur Zalman; 6) Seu filho, Harav Baruch; 7) Seu filho, Hod K'vod K'dushat Admur Harav Schneur Zalman (O Alter Rebe).

     Os Rebes de Chabad e as principais lideranças de suas famílias
I: O Alter Rebe, Hod K'vod K'dushat Admur Marana Verabana Schneur Zalman 18 Elul 5505 (1745): Nascimento do Alter Rebe, R. Schneur Zalman, filho de R. Baruch e sua esposa, Rivca, filha de R. Avraham. Em sua celebração de Bar Mitzvá, os mais notáveis eruditos da geração denominaram-no Rav Tanna UPalig. (Ele é igual em estatura aos eruditos das gerações anteriores, e tem o direito de discordar deles). Casou-se no ano de 5520 (1760). Lançou uma vigorosa campanha – com esforço pessoal e com seus próprios recursos – para encorajar judeus a tornar-se fazendeiros.
5524 (1764): Sua primeira visita a Mezeritch
5527 (1767): Aceitou o cargo de Maguid (Pregador) de Lyozna
5530 (1770): Começou a compilar o Shulchan Aruch (HaRav)
5532 (1772): Define a doutrina de Chassidut Chabad; inicia a campanha para os judeus habitantes da área de Vitebsk mudarem-se para o outro lado da fronteira, na Rússia.
5533 a 5538 (1773 – 1778): Estabelece a yeshivá em Lyosna, conhecida como Cheder I, Ii e III.
5534 (1774): Viaja para Vilna com Menachem Mendel de Vitebsk para encontrar o Gaon de Vilna. O Gaon recusa-se a encontrar-se com ele.
5537 (1777): Acompanha R. Menachem Mendel na primeira parte de sua viagem à Terra Santa, até a cidade de Mogilev, no Rio Dniester.
5543 (1783): Empenha-se em importantes disputas em Minsk e sai vitorioso.
5551 (1791): Suas obras sobre o Talmud e Halachá e Chassidut são largamente disseminadas.
5554 (1794):Publica Hilchot Talmud Torá ("Leis do Estudo de Torá).
5557 (1797):Publica o Tanya.
5559 (1798): Preso no dia após Sucot; libertado a 19 de Kislêv.
5561 (1800): Chamado a Petersburgo no dia após Sucot; em 11 de Menachem Av seguinte, (1801) deixa Petersburgo diretamente para Liadi, Província de Mogilev. Deixa Liadi na véspera de Shabat Mevarechim Elul 5572 (1812). Após vagar com sua família e muitos chassidim, chega ao vilarejo de Piena, Província de Kursk, e 12 de Tevêt 5583(1812). Lá, após o final de Shabat, na véspera de domingo, 24 de Tevêt, ele faleceu. É enterrado em Haditz, Província de Poltava. Sua esposa foi Rebetzin Sterna, filha do magnata R. Yehuda Leib Segal e sua esposa Beila. Seus filhos:
1 – Hod K'vod K'dushat Admur Rav Dovber.
2 – K. K. Harav Hachassid R. Chaim Avraham.
3 – K. K. Harav Hachassid R. Moshe.
Suas filhas:
1 - Rebetzin Freida, cujo marido foi Harav Hachassid R. Shalom Shachna, filho de R. Noach.
 2 - Rebetzin Rachel, cujo marido foi Harav Hachassid R. Avraham, filho de R. Tzvi Sjeines.

Seus irmãos:
1 – HaRav HaGaon HaRav Hachassid R. Yehuda Leib.
2 – HaRav HaGaon Rav Mordechai.
3 – HaRav HaGaon Rav Moshe.
Sua irmã foi rebetzin Sara.
     Seu cunhado foi HaRav Yisrael, conhecido como R. Yisrael Kazak, casado com Rebetzin Sara.
     Outro cunhado foi R. Akiva Fradkin de Shklov, casado com Rebetzin irmã de Sterna.


Obras publicadas:

1) Hilchot Talmud Torá. 2) Birchot Hanehenin. 3) Tanya e Mehadureh Kama de Tanya. 4) Sidur. 5) Shulchan Aruch. 6) Bi'urei Hazohar. 7) Torá Or. 8) Likutei Torá. 9) Boneh Yerushalaym. 10) Ma'amarei Admor Hazaken – Hanachot Hara'p. 11) Ma'amarei Admor Hazaken – Et'haleich Lyosna. 12) Ma'amarei Admor Hazaken – 5562, 2 vol. 13) Ma'amarei Admor Hazaken – 5563, 2 vol. 14) Ma'amarei Admor Hazaken – 5564. 15) Ma'amarei Admor Hazaken – 5565, 2 vol. 16) Ma'amarei Admor Hazaken – 5566. 17) Ma'amarei Admor – 5567. 18) Ma'amarei Admor Hazaken – 5568, 2 vol. 19) Ma'amarei Admor Hazaken – 5569. 20) Ma'amarei Admor hazaken – 5570. 21) Ma'amarei Admor Hazaken – Haketzarim. 22) Ma'amarei Admor Hazaken – Al Parshiyot Hatorah VehaMoadim, 2 vol. 23) Ma'amarei Admor hazaken – Inyanim. 24) Ma'amarei Admor Hazaken – Maamarei Razal. 25) Ma'amarei Admor Hazaken – Nach, 2 vol. 26) Igrat Kôdesh. 27) Tanya (Inglês).



… continua …