terça-feira, 27 de março de 2012

O Livre Arbítrio, nosso Maior Poder


O Livre Arbítrio, nosso Maior Poder


     O livre arbítrio é uma característica exclusivamente humana que faz a diferença entre a vida e a morte.
     "Quão precioso é o homem, criado à imagem de Deus" (Pirkei Avot 3:18). O que significa ser criado à imagem de Deus?
     Ao contrário de outras criações, os seres humanos têm livre-arbítrio. Dentro dessa centelha divina está o nosso potencial para moldar e mudar o mundo. O uso adequado do livre-arbítrio embeleza e aperfeiçoa o mundo, uso indevido pode destruí-lo. Aprender a usar o livre arbítrio é propriamente uma tarefa para que o ser humano tome consciência do livre-arbítrio considere a seguinte situação: Um vagabundo está no meio de uma rua fria e suja, empurrando um carrinho de compras carregado com seus pertences. Desesperado, ele pede dinheiro e olhando para aterros de resíduos alimentares busca alí o seu sustento. Agora imagine que você dá 10 milhões de dólares. O que ele faria com esse dinheiro? Compraria uma casa, roupas novas e muita comida ...
     Mas digamos que você escondeu o dinheiro no fundo de sua bolsa, e ele não sabia que você tem aqueles 10 milhões. Então, ele vai viver na mesma miséria, o mesmo desespero.
     O livre-arbítrio nos dá um enorme poder e potencial. No entanto, se não percebemos o poder que temos, então, não podemos explorá-lo. Nós podemos viver a vida de um mendigo, quando na verdade somos reis. O Talmud diz: Maior do que o Dom do livre arbítrio, é o fato de que Deus nos disse que temos o livre arbítrio.


O que é o livre arbítrio?


     É um dia extremamente quente e úmido. Você vai rastejar para fora da sorveteria, e ver que existem 10 novos sabores! O especial do dia! Frozen Yogurt! Você vai e pede: "Um de chocolate duplo, por favor!"
A simples escolha do chocolate em meio a grande variedade de sabores é uma decisão que você usa o seu "livre arbítrio"? Não. É simplesmente o exercício de uma preferência e escolha, a vaca come grama em vez de feno.
"Livre arbítrio" se refere ao tipo de decisão que é exclusivo para os seres humanos: a moralidade. Mas não pense, erroneamente, que a "moralidade" é a escolha entre "o bem e o mal."Todos nós optamos por sermos "bons" - mesmo as pessoas más e imorais. Hitler racionalizava que os judeus eram os inimigos do mundo e em sua mente estava justificando suas ações como "boas".
     Em vez disso, o livre arbítrio é decidir entre a vida e a morte. Como está Escrito na Torá: "Eu pus diante de ti a vida e a morte ... Escolhe a vida para que você possa viver."

A rota de fuga


     Será que há alguém que você conheça que escolheu a morte sobre a vida realmente?
     Todo mundo quer ser grande. No entanto, atingir os nossos objetivos requer muito esforço. Então, nós estamos distraídos e tomando o caminho mais fácil. A rota de fuga.
     É domingo à tarde e você está entediado. Você assume o controle do controle remoto da TV e você se deita no sofá. Você poderia estar usando seu tempo para ler e crescer, mas prefere escolher a opção mais fácil de passar a tarde sem qualquer esforço ... escapando para o mundo da TV.
Todos os dias nos deparamos com muitas rotas de fuga. Sonhar acordado, tomando drogas, verificar nosso e-mail pela a sétima vez em uma hora ...
Matando o tempo é suicidar-se lentamente. E o suicídio é a fuga mais extrema e dramática. Considere o seguinte: Um homem prestes a saltar da ponte de Brooklyn. Equipes de TV estão no local. "O público tem o direito de saber. Por que você está pulando?" "Perdi 10 milhões de dólares na bolsa de valores! Estou arrasado! Eu estou falido." "Você ainda tem alguma coisa que restou?" "Bem, entre o meu chalé na Suíça, o iate e o Rolls Royce, eu ainda acho que tenho três milhões e meio." "Três milhões e meio? Isso é mais do que o que eu posso ganhar em toda minha vida! Você pode realmente aproveitar a vida! Além disso, se você ganhou 10 milhões de dólares uma vez, tente e você poderá ganhar outros 10 milhões."
"É verdade. Mas você sabe como é doloroso perder 10 milhões de dólares? " Zuuup - ele salta.
     Por que este homem pulou? Ele era comparativamente rico, e poderia ter feito mais dinheiro, mas só pensava na dor da perda terrível - e não poderia suportar essa dor. Em seguida, ele escapou. Ele tomou o caminho mais fácil para evitar a dor e o esforço para resolver os seus problemas e desafios.
"Ser ou não ser, eis a questão. Se suportar as pedras e flechas da fortuna ultrajante, Ou pegar em armas contra o destino ... para acabar com tudo "- William Shakespeare.
     O Judaísmo diz o contrário. A grandeza está em como resolver conflitos, para usar nosso livre arbítrio para crescer - não renunciar. Na realidade, não existe  escape. Para viver e não morrer. Quando escapamos dos problemas, perdemos a oportunidade de crescer. É uma batalha constante a cada momento de nossas vidas. Veja como ganhar: Cinco Níveis na luta para exercer o livre arbítrio.


     Primeiro Passo: Conhecer a si mesmo.


     Observe as escolhas que você está fazendo. A vida é um fluxo constante de decisões. Depois de se tornar sensível ao fato de que você está constantemente tomando decisões, então você pode controlá-las. Isso é você usando seu livre arbítrio ativamente, não passivamente. Não deixe que a decisão passe por cima de você. Eleve o seu periscópio. Pergunte-se:
Por que estou lendo isso agora? Você tem algum objetivo enquanto  navega na Web? Ou tem não tem um objetivo específico?
     Suas decisões moldam sua vida e determinam seu destino. Assuma o controle. Se você não fizer isso, você é apenas um observador da vida, como um pedestre que simplesmente passa.


     Nível Dois: Não seja um fantoche.


      Não aceite as crenças da sociedade como o sua, a menos que você tenha pensado a respeito e a aceitou conscientemente. Você vive para si mesmo, não para a sociedade. Avalie suas decisões passadas. Cada dia começa novamente. Não fique trancado nas decisões que você fez anos atrás, ou mesmo que você tomou ontem. A carreira que você escolheu há algum tempo, pode não ser a melhor opção para você hoje. Ou ... Só porque a certa altura decidiu que não há Deus, agora que não significa que você não pode encontrar mais evidências e tomar uma decisão mais informada.
Verifique os seus pressupostos e verifique se eles são realmente seus e de mais ninguém. Não seja um fantoche da sociedade.


     Terceiro Nível: Distinguir entre o corpo e a alma.


     Dentro de cada um de nós está constantemente desenvolvendo uma grande batalha. É uma batalha entre o que nossa alma quer e deseja do nosso corpo.
     Há momentos em que você sabe que algo é objetivamente bom para você, mas seus desejos físicos ficam no caminho e distorcem sua perspectiva.
Isto é como se as linhas de batalha estivessem quebradas:
CORPO: Gravita para o conforto e transitórios prazeres sensuais. Desejos a renunciar, para sonhar, para ser levado por paixões, procrastinar. Ele diz: "Dê-me um pouco de comida, um teto, um travesseiro -. E deixe-me viver a vida fácil" Olhando para a fuga do sono ... escorregando em direção à morte.
ALMA: Buscando a compreensão, o sentido, a produtividade, realização, retenção grandeza. Ela enfrenta desafios. Abrace a realidade e a verdade.
O Midrash nos conta sobre um grupo de soldados que retornavam vitoriosos do campo de batalha. Eles vieram marchando e cantando, alegrando-se na vitória. Um homem sábio viu e disse: "Amigos, vocês estão retornando de uma simples batalha. Agora é que enfrentarão uma verdadeira guerra. A guerra que acontece dentro de si mesmo."
Essa é a guerra do livre arbítrio. Mesmo que você ganhou a batalha quando o inimigo estava sempre em seu acampamento, constantemente atrás de você. Não importa o quão longe você possa correr, ele virá para você.
Às vezes podemos até ouvir-nos lutar. Aqui está uma conversa que você poderia ter com você mesmo:
Alma: "Você tem que colocar algumas metas."
Corpo: "Deixe-me sozinho, eu prefiro dormir."
Alma: "Vamos lá, há muito a fazer".
Corpo: "Relaxe, isso não pode esperar até amanhã?".
     O que realmente está acontecendo? Você é esquizofrênico? Não. Só uma guerra interna.
     Não deixe que seu corpo venha a fazer uma emboscada. Identifique quem está falando, é o seu corpo ou sua alma? Bem, até agora, nem mesmo sabe por que você tomou uma decisão. Impessa as rotas de fuga. Escolha o que é significativo e produtivo. Escolhe a vida.


     Nível IV: Identificar-se com sua alma, não o seu corpo.


     Aprenda sobre si mesmo. Quem é você?
     O Judaísmo diz que sua alma é o seu verdadeiro "eu". O corpo diz: "Tenho fome": A alma diz: "Meu corpo precisa de alimento." O corpo diz: "Eu estou cansado." A alma diz: "Meu corpo precisa de sono."
     Alcançar a paz interior. Dominar o seu corpo e se identificar com sua alma!
     O Talmud ensina: "O justo irá conversar com seus desejos físicos, enquanto aos maus desejos deixá-los-a a falar." A pergunta é: Quem está comandando o show? Quem vai ditar o que você faz?
     Você está tentando ir em uma dieta e alguém lhe oferece uma deliciosa fatia de bolo de chocolate. Sua primeira reação é: "Não! Nã posso, eu estou em uma dieta rigorosa." Mas enquanto observava o bolo, seu corpo começou a persuadi-lo: “Apenas um pequeno pedaço, não vai doer. Podemos começar a dieta amanhã ...”
     Essa foi uma excelente estratégia - um a zero para o corpo!
Observe que o corpo não diz: "Esqueça a dieta, coma o bolo!" O corpo sabe que você rejeitará um argumento simples e mal elaborado. Em vez disso, o corpo faz você pensar que você pode dar apenas uma pequena mordida e permanecer no controle. Mas o corpo é implacável, e cada vez que eu desistir, será mais difícil resistir à próxima vez. Então, como revidar de forma eficiente? Bata no corpo com a mesma técnica. Persuadindo-o da mesma forma que ele irá tentar persuadi-lo.
     Quer manter uma rotina de exercícios? Não diga ao seu corpo: "De agora em diante, todas as manhãs, 50 flexões," mas antes deves dizer: " Nos exercitaremos apenas cinco minutos e depois comeremos o bolo."
     Um corredor vai primeiro para executar uma longa distância. O corpo protesta: "Não seja um masoquista ... dar-nos-á um ataque cardíaco ... não vá além deste canto ... Pare de uma vez ". Só com grande força de vontade ele será capaz de quebrar a resistência do corpo e obter o seu consentimento. Como? Constantemente explicando as vantagens de estar em forma, ser magro e saudável. "Isto é o que você realmente quer ... acho que depois que você se sentir melhor ... você será respeitado ... Imagine o quanto mais você pode viver!" Dois meses depois, se um dia você não vai correr, o corpo vai dizer: "Ei, eu sinto falta do prazer do exercício, o que está acontecendo?"
     A única maneira de vencer é fazer com que o corpo se encurve aos desejos da alma. Não há outra maneira de alcançar a paz, para que você faça tudo que você quiser que o seu corpo faça, pois, sua alma nunca vai desistir. Nunca. Mas o corpo pode se adaptar à alma. E embora ele "dói" um pouco longe de prazer, você pode sobreviver sem ele. É a única solução prática. A verdadeira paz só vem quando o corpo quer o sucesso da alma.


    Quinto Nível: ter a vontade de Deus é a Sua Vontade.


     O nível mais alto do livre-arbítrio é não quando você pergunta "O que é que minha alma quer?" Mas quando você pergunta "O que Deus quer?" Quando o seu principal interesse é fazer o que Deus quer, então que você terá atingido a forma de vida mais alta. Você está usando seu livre arbítrio para se fundir com a Força mais Poderosa e significativa no Universo: com o Transcendental.
     O livre arbítrio é a escolha entre a Vida e a Morte. Atenha-se a Deus e apegarás a Eternidade. Você obterá o mais absoluto da Vida. Fazer da sua vontade a Vontade Dele. E se você fizer isso, vai ser um pouco menos do que o próprio Deus. Parceiros na Criação do Novo Mundo.


     Um breve resumo.

     Primeiro Nível: Não seja um sonâmbulo. Tome suas decisões ativamente.
     Segundo Nível: Não seja um fantoche dos objetivos da sociedade, ou um escravo de suas decisões antigas.
     Terceiro Nível: Esteja ciente de conflito entre os desejos do seu corpo e as aspirações da sua alma.
     Quarto Nível: Identificar-se com sua alma e não com seu corpo.
     Quinto Nível: Deixe que a Vontade de Deus venha a ser a sua vontade.


Fonte:
pelo Rabino Noah Weinberg zt "l -
http://www.aishlatino.com/


quinta-feira, 1 de março de 2012

O Vale dos Filhos de Hinom 4° e Última Parte


O Vale dos Filhos de Hinom


4° e Última Parte

     Nesta quarta parte, procuraremos responder às questões: O que acontece lá? E o que devo fazer para me livrar do Guei-Hinom?
     Bem, acredito que antes de sabermos o que acontece lá, deveríamos saber o que geralmente as pessoas fazem para no final acabar parando no temível Guei-Hinom.
     Aqui no Nordeste temos um velho-ditado que diz assim: “Quem morreu descansou.” Infelizmente, as Escrituras Sagradas não apóiam este tão consolador ditado, pois, uma das características que descreve o estado de alguém que se encontra no Guei-Hinom; é justamente a ausência do descanso. No Mundo Espiritual, o descanso não é um privilégio de todos e nem tem a mesma conotação que “descanso” no mundo material. Quem se cansa é o corpo e não o espírito, portanto; de que se cansa o espírito se não tem corpo? E se o seu cansaço não é físico, então em que consiste o seu descanso?
     Mesmo aqui no mundo material podemos indiretamente experimentar alguns fenômenos próprios do mundo espiritual, tais como: Amor, paz de espírito, alegria, ódio, rancor, ambição, dentre outros tantos sentimentos. Para o nosso exemplo, porém, existe outro fenômeno que desejo ressaltar em particular: A popular voz da Consciência.
     Basicamente dividimos o conceito popular de consciência em duas, a saber: A Consciência Leve e a Consciência Pesada. Diz-se que alguém tem a consciência leve quando observamos seus atos e notamos a ausência de desconforto, ou seja; ele não está fazendo nada demais, sua consciência está limpa, ele está com a consciência leve e por isso age livremente sem ser recriminado por si próprio e nem teme a recriminação de alguém. Por outro lado, dizemos que alguém tá com a consciência pesada quando observamos suas atitudes e junto de suas realizações percebemos que aquele que agiu se encontra desconfortável, incomodado, alguma coisa interior o acusa de ter feito algo errado, seja para si mesmo ou para alguém, ele está com a consciência pesada, se sente com a consciência suja, o que acaba por sinônimo uma designação da outra, ainda que cada termo venha a ter seu significado próprio.


     Daí aquele famoso versículo passa a fazer sentido para o indivíduo ainda em vida que diz:
“Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.”
(Marcos 9:44)

  
      O Fogo que Nunca se Apaga, nada mais é do que a “voz da consciência” que mesmo em vida o indivíduo sofre seus tormentos, pois, como se diz: “Quem pode calar a voz da consciência?” De fato ninguém, mas aqui, no mundo material, é possível não prestarmos atenção a ela, ou seja; na medida em que ela nos ordena fazer alguma coisa, naturalmente poderemos escolher fazer outra, e mesmo quando ela nos acusa de termos feito mal, poderemos simplesmente ignorar as suas repreensões nos ocupando com alguma outra coisa e assim; não damos ouvidos à voz de nossa consciência. Porém, no Mundo Espiritual não é assim, lá a “voz da consciência” é a única realidade existente, como o espírito não dorme, e como no mundo espiritual não se tem o conceito de dia e nem noite como os conhecemos, a todo o momento o indivíduo se depara de forma incessante com a sua consciência, e como se não bastasse ainda terá como companhia os acusadores que a todo o momento deixa bem claro o porquê de o indivíduo se encontrar nesta situação. Os acusadores são o “bicho que nunca morre” e o não cessar da consciência é o “fogo que nunca se apaga”. Foi justamente esta condição espiritual que temeu David HaMelekh quando disse:  
  
“Pois não deixarás a minha alma no Guei-Hinom, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.”
(Salmos 16:10)

     Davi não temeu apenas a corrupção de seu corpo na sepultura natural, antes temeu verdadeiramente a corrupção das qualidades de sua alma que poderia se corromper em meio aos tormentos perpetrados pelos acusadores e pela sua consciência, por isso, uma consciência limpa e leve é uma das chaves que garantem a não estadia no Guei-Hinom. Mas, como ter uma consciência limpa e leve num mundo como o nosso, onde a todo o momento valorizamos mais a nossa vida do que a do outro e assim, inevitavelmente, lesamos alguém?


     O segredo de tudo isso se encontra no fato de que devemos sempre agir bem. Apesar de parecer uma tarefa até um tanto infantil, com facilidade poderemos observar que na prática, agir bem, nem sempre é tão simples assim, pois, agir sempre bem requer sacrifício, no nosso mundo material na maioria das vezes não se é possível notar para si próprio a vantagem de se agir sempre bem, na maioria das vezes somos passados para trás, as pessoas se aproveitam da boa vontade alheio sem dó nem piedade desencadeando no indivíduo que busca sempre agir uma série de sentimentos ruis que a longo prazo se torna impossível suportar, por isso, é impossível agir sempre bem. Porém, é possível que nos esforcemos a fim de que venhamos a agir bem tanto quanto possível. Mas, de que nos adiantaria se vamos para o Guei-Hinom de qualquer jeito!
      Pois bem; para cada falta cometida há sempre uma forma de se pedir desculpas. A Torá é mister nessa matéria.
     Mas, o que nos faz agir errado ou agir mal mesmo tendo consciência de que tá errado? No Zohar Bereshit, na página 132, o Rabi Yehudá nos trará uma informação aclaradora;

Rabi Yehudá disse: Todos os espíritos punitivos que havemos mencionado que assumem formas tão variadas, estão encarregados de maltratar e molestar neste mundo aos pecadores que deliberadamente transgridem os preceitos de seu Senhor. Pois quando uma pessoa peca, atrai a si inúmeros maus espíritos e emissários de castigo, ante os quais as pessoas se descoram de medo. Salomão dialogava com os mistérios da Sabedoria, e Deus pôs sobre sua cabeça a Coroa da Realeza e o Mundo todo o temeu. Pois, quando pecou atraiu sobre si numerosos espíritos maus e punitivos, dos quais estavam enterrados, de modo que foram capazes de maltratá-lo e arrebatar-lhe suas preciosas pocessões.


     Em ouras palavras; o Rabi Yehudá está nos informando que quando transgredimos um Mandamento Divino, um espírito do outro lado se achega a nós nos incita a continuar pecando. Isso quer dizer que aquela insistente vontade de viver de forma irresponsável que naturalmente todos tem – uns mais e outros menos é bem verdade – provem dos espíritos que atraímos através de nossos maus comportamentos, dando ouvidos a estes espíritos não somente destruímos nossa vida aqui neste mundo como também nos separamos do descanso do Mundo Espiritual que consiste em não ter lembrança do que se passou aqui no mundo material. Então, se ao quebrarmos um Mandamento Divino atraímos para perto de nós um espírito mau, o oposto também é verdadeiro, como nos ensina Rabi Aba no Zohar Bereshit, nas páginas 132 a 133:

Rabi Aba discorreu sobre o texto: “Quem conhece o espírito do homem que ascende ou espírito da besta que baixa a terra?”
(Eclesiastes 3:21)

Disse: Este versículo pode tomar muitas construções e assim ocorre com todas as palavras da Torá; todas são suscetíveis de vários sentidos, e todos bons, e a Torá inteira pode expor-se de setenta maneiras, correspondentes a setenta lados e setenta alas. Pois o exporemos assim: Quando uma pessoa caminha Senda da Verdade, marcha até a Direita e se atrai a um Espírito Santo do Alto, que a Seu turno ascende com santa intenção de ligar-se ao Mundo Superior e aderir à Santidade Superior. Porém, quando um homem caminha pela senda do mal, se atrai a um espírito impuro que pertence ao lado esquerdo, que o torna impuro; assim está Escrito: “Não os façais imundos de modo que os façais contaminados. Pois, quem primeiro se contamina é levado a mais contaminação.
(Levítico 11:43)


     Dessa forma; basicamente tudo se resume a isso: Quanto mais se santifica, mais santo se torna, porém, quanto mais se impurifica, mais impuro se torna, e para cada gênero o seu lugar apropriado.
      Os impuros, depois que morrem em suas impurezas, são arrastados para baixo pelos mesmos espíritos que o seduziram ao mal caminho, o entregando nas mãos do Guardião Dumá, um dos mais poderosos mensageiros divinos, encarregado por Deus para guardar as portas do Guei-Hinom. Foi dele que Davi falou, se referindo a ele com tremor e temor, pois, Dumá não tem piedade e nem distingue ninguém, para ele, todos os que descem ao Guei-Hinom são merecedores de castigo. O temor de Davi em relação a Dumá se encontra no Salmo 94:17, foi quando disse:

yvpn hmwd hnkv jemk yl htrze hwhy ylwl

Lulei Adonai Ezratá Li KeMeat Shakhná Dumá Nafshi.

“Se o Senhor não me houvesse socorrido, em breve minha alma estaria em Dumá  - “silêncio”.

    
     Sobre Dumá diz o Zohar Bereshit na página 46:

Isto é: Se o Senhor não houvesse sido o meu Advogado, em breve minha alma... Somente por uma minúscula distância que há entre mim e o “Poder Sinistro”, minha alma escapou das garras de Dumá. Por isso o homem deve estar em guarda para “não dormir” e não proferir assim uma palavra imprudente, como Davi, pois, não será capaz de alegar diante de Dumá “que foi um erro”, como Davi que vindicado pelo Santo, Bendito seja o Seu Nome; “Porque se enojaria Deus a causa de tuas palavras e destruiria as obras de tua mão?” É dizer; a carne da Aliança Santa que o homem há manchado e que como castigo é arrojado no Guei-Hinom pela mão de Dumá.

     Salomão quando se referiu a Dumá, de acordo com a passagem aqui citada pelo Zohar, se referiu a ele como ao Mensageiro (Anjo), como está Escrito:

Myhlah ynpl rbd ayuhl rhmy la Kblw Kyp le lhbt la
Myjem Krbd wyhy Nk le Urah le htaw Mymvb Myhlah yk
rdn rdt rvak Myrbd brb lyok lwqw Nyne brb Mwlxhb yk
 rdt rva ta Mylyokb Upx Nya yk wmlvl rxat la Myhlal
Kyp ta Ntt la Mlvt alw rwdtvm rdt al rva bwj Mlv
ayh hggv yk Kalmh ynpl rmat law Krvb ta ayjxl
Kdy hvem ta lbxw Klwq la Myhlah Puqy hml
ary Myhlah ta yk hbrh Myrbdw Mylbhw twmlx brb yk

Al Tevahel Al Pikha VeLibekha Al Yemaher LeHotzi Davar Lifenei HaElohim Ki HaElohim BaShamaim VeAtá al HaAretz Al Ken Yheiu Devarekha Meatim; Ki Bá HaChalom BeRov Yneian VeQol Kessil BeRov Devarim; KaAsher Tidor Neder LeElohim Al Teacher L’Shalmo Ki Ein Chefetz BaKessilim Et Asher Tidor Shalem; Tov Asher Lo Tidor MiSheTidor VeLo Teshalem; Al Titen Et Pikha Lachati Et BeSarekha VeAl Tomar Lifenei HaMaleakh Ki SheGagá Hi Lamá Yquetzof HaElohim Al Qolekha VeChibel Et Maassê Yadekha?Ki BeRov Chalom VaChavalim UDevarim Harbé Ki Et HaElohim Yirá.

“Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos Céus, e tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras. Porque, da muita ocupação vêm os sonhos, e a voz do tolo da multidão das palavras. Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o. Melhor é que não votes do que votares e não cumprires. Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas diante do Mensageiro – Anjo -  que foi um erro; por que razão se iraria Deus contra a tua voz, e destruiria a obra das tuas mãos? Porque, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu teme a Deus.”
(Eclesiastes 5:2-7)


     De qual quer forma, a questão persiste, porém, com outras palavras, que são: O que devo fazer para me purificar de forma a não cair nas mãos do Mensageiro Dumá?
     No Zohar VaYeshev, na página 388, Rabi Yehudá nos dará uma luz do que devemos fazer:

Rabi Yehudá disse: Perfeita é a Lei do Senhor que restaura a alma.
 (Salmo 19:8)
Por outro lado, a pessoa que deixa de estudar a Torá neste mundo, e caminha na obscuridade, quando deixa este mundo é tomado e lançado no Guei-Hinom, um lugar dos mais baixos, onde não haverá quem se compadeça dela, um lugar chamado “Fogo Turbulento e Argila Lamacenta” (Salmo 40:3).
Também aquele que se dedica ao estudo da Torá neste mundo, mas que se manchou com os desperdícios deste mundo, está Escrito: “E eles o tomaram e o jogaram no fogo.” Quer dizer no Guei-Hinom, um lugar no qual os que não trabalharam na Torá são atraídos ao Juízo. “E o Fogo estava vazio” no mesmo sentido no qual ele era vazio: Por que é assim? “Por que não havia Água” quer dizer; não havia Torá nele. Observa-se quão grande é o castigo por descuidar do estudo da Torá, como está Escrito: “Quem é o homem sábio que pode entender isso?... por que o País pereceu?... e o Senhor disse: Porque eles abandonaram a Minha Lei... (Jeremias 9:11). Rabi Yehudá extraiu a mesma lição do versículo: “Por isso o Meu Povo foi ao Cativeiro, por necessidade de conhecimento” (Isaías 5:13). Quer dizer; por não se aplicarem ao estudo da Torá, que é o Fundamento do Mundo Superior e do mundo inferior, como se disse: “Se não fora por Meu Pacto que permaneceu dia e noite, Eu não haveria indicado as ordenanças dos Céus e da Terra” (Jeremias 33:25).

     Então, vamos recapitular tudo o que foi dito até agora; apenas os impuros têm destino certo para o Guei-Hinom, os puros se livram de ir para lá, e apenas o estudo da Torá é que realmente nos purifica, pois, apenas a Torá é quem realmente sabe a Vontade HaShem e prontamente nos ensina de acordo com o Bom Caminho, dessa forma, todos os que se apegam à Sagrada Torá para dela fazer sua regra de vida não entrará no Guei-Hinom.


 Agora que sabemos como alguém pode acabar indo para o Guei-Hinom e como devemos fazer nos livrar do deste terrível lugar, entraremos na questão: O que acontece lá?
     Como já percebemos, as influências negativas desse lugar de certa forma se manifestam antes mesmo do indivíduo se encontrar lá, como nos revela o Rabi Chia no Zohar VaYehi, na página 474:

Rabi Chia discorreu sobre o versículo: “O Senhor te guardará de todo o mal, Ele guardará tua alma.” Disse: As palavras “te guardará” se refere a este mundo e “Ele guardará tua alma”, ao Mundo Futuro. “Guardar neste mundo” significa que um homem é protegido de muitos maus acusadores que buscam trazer culpa sobre as pessoas e aderir-se a elas firmemente. A preservação no Mundo Futuro significa como o explicamos, que quando uma pessoa parte deste mundo, se é virtuosa, sua alma ascende e é coroada no seu lugar, e se não é virtuosa, numerosos demônios estão ansiosos para arrastá-lo ao Guei-Hinom e para entregá-lo nas mãos de Dumá, convertido em chefe dos demônios e que tem doze mil miríades de ajudantes encarregados de castigar as almas dos pecadores. Há no Guei-Hinom sete lugares e sete portas, cada uma com vários zeladores a mando de seu próprio chefe. Há portas detrás de portas, permanecendo as exteriores abertas e as interiores fechadas.

     No Zohar Shemot, na página 535, os nossos sábios nos revelam como foi estabelecido na Torá o “Fogo que nunca se apaga” como castigo no Guei-Hinom para os pecadores:

Nossos mestres perguntaram: Por que no tempo quando Moisés subiu ao Monte Sinai a Teofaniatomou a forma de um fogo chamejante, que é o símbolo da severidade? A resposta que deu Rabi Yaacov foi: Era apropriado para o momento, que o foi de severidade. Rabi Yosse disse: Era símbolo dos acontecimentos associados com esse lugar. Pois, desse lugar está Escrito: “E ele veio ao Monte de Deus, a Horeb”, um lugar do qual igualmente está Escrito: “Também em Horeb haveis encolerizado ao Senhor” (Deuteronômio 9:8). Ademais, está Escrito: “E o Mensageiro do Senhor se lhe apareceu em uma chama de fogo do meio de uma sarça”, como um símbolo de que os iníquos um dia se volverão como “espinhos cortados, que são queimados no fogo” (Isaías 33:1).

     A partir daqui, Rabi Yehudá, continuando no mesmo assunto, nos faz uma declaração que me pareceu digna de nota, pois, desta declaração entenderemos que mesmo para os que não conseguiram escapar dos castigos do Guei-Hinom, mesmo para estes, ainda haverá salvação:

Rabi Yehudá disse: Daqui aprendemos a Misericórdia do Santo, Bendito seja, que Ele faz para com os iníquos. Assim está Escrito: “E eis que a sarça de espinhos se queimou com fogo.” É como dizer: Para executar Juízo contra os iníquos: mas, sem embaraço; “a sarça de espinhos não se consumiu”, o que indica que eles não serão manifestamente exterminados. “Queimar no Fogo” é certamente uma alusão ao Fogo do Guei-Hinom; mas “a mata de espinhos não se consumiu”, para mostrar que mesmo dessa forma eles não serão totalmente destruídos.

    Dessa mesma Misericórdia para os que estão no Guei-Hinom falou Kefa HaShaliach, quando disse que também a estes foram pregadas palavras de Salvação – pois é justamente de Salvação que consiste as pregações, mesmo as mais rudes – e dessa forma, mesmo em meio a tormentos mil, foi-lhes dado esperança de um dia sair de lá para um lugar melhor, como está Escrito:  

Myevrh deb qyduh wnytajh le txa Mep hne xyvmh Mg yk
xwrb yxyw rvbh ypl tmwh Myhlah la wnta vrql
...rmvmb rva twxwrl Mg arqyw Klh wb rva

Ki Gam HaMashiach Uná Paam Achat Al HaToteinu HaTzadiq BeAd HaReshaim Leqarev Otanu El HaElohim Humt Lefi HaBassar VaYechi BaRuach Asher Bo Halakh VaYqra Gam LaRuchot Asher BaMishmar...

“Porque também Mashiach padeceu uma vez pelos pecados, o Justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão...”
(1 Pedro 3:18-19)



Shalom UL’Hitraot!!!


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Amigos dos judeus X Anti-semitas


Amigos dos judeus X Anti-semitas
Por Maorel Melo
    
     Eu estava outro dia participando de um momento social entre amigos gentios. Em um espaço confortável foram dispostas várias mesas encostadas umas as outras e as rodearam de cadeiras. Tratava-se de um café entre amigos. Não demorou muito e a conversa rolava solta – tudo com muita decência, claro - inevitavelmente a conversa é canalizada por um dos presentes em direção a Bíblia e a Cultura Judaica, a isso eu presenciei uma “explosão” de sentimentos mistos que muito me surpreendeu, pois, estávamos entre amigos. Lógico, tudo ocorreu com o máximo de discrição, porém, foi surpreendente para mim, a final de contas, eu estava entre amigos!
      Pois bem, pensando neste episódio em particular de minhas interações sociais com os não judeus, inventei de navegar de forma aleatória pela NET e deparei com três matérias que me chamaram a atenção em especial e gostaria de partilhar com vocês.
     A primeira matéria tem haver com protestos anti-semitas feitos por não judeus em nosso favor. Lógico; achei isso o máximo!
     A segunda; é uma dica oferecida por um judeu carioca de como devemos melhorar a imagem de nossa comunidade usando para tanto os meios de comunicação que nos cercam, assim, não somente faremos uma diferença positiva na sociedade da qual participamos, como também diminuiremos significativamente a força dos anti-semitas que infelizmente nos cercam.
     A terceira, no entanto, é a melhor delas; pois, nela conheceremos um dos maiores amigos dos judeus de todos os tempos aqui no Brasil.
     Tenham uma boa leitura!


Por: Nathan Lopes Cardozo
Leia a seguir o que pensam sobre os judeus alguns dos mais conhecidos autores não-judeus, em todo o mundo e em diversas épocas. São pessoas que admiram o povo judeu e que se referem à poluição do anti-semitismo em todo o mundo, que parece estar retornando com ímpetos nunca vistos anteriormente.
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" Algumas pessoas gostam dos judeus, e alguns não. Mas nenhum ser pensante pode negar o fato de que eles são, antes de tudo, o mais formidável e o mais extraordinário povo que apareceu no mundo".
Winston Churchill 1
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" O judeu é aquele ser sagrado que baixou do céu o fogo eterno, e tem iluminado com ele o mundo inteiro. Ele é a origem religiosa, manancial, e fonte sobre a qual todo o resto dos povos extraiu suas crenças e suas religiões".
Leon Tolstoy 2
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" Foi em vão que os mantivemos fechados durante vários séculos atrás das paredes do Gueto. Não tão cedo foram destrancados os portões de sua prisão, mas eles facilmente nos alcançaram, até mesmo nesses caminhos que nós abrimos sem a ajuda deles".
A. A. Leroy Beaulieu 3
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" O judeu nos deu o Exterior e o Interior — nossa perspectiva e nossa vida interna. Dificilmente podemos nos levantar pela manhã ou cruzar uma rua sem ser judeus. Nós sonhamos sonhos judeus e almejamos esperanças judaicas. A maioria de nossas melhores palavras, na realidade — novo, surpresa, aventura, sem igual, indivíduo, pessoa, vocação, tempo, história, futuro, liberdade, progresso, espírito, esperança de fé, justiça — são presentes dos judeus”.
Thomas Cahill 4
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" Um dos presentes da cultura judaica para o cristianismo é que tem ensinado os cristãos a pensar como judeus, e qualquer homem moderno que não tenha aprendido a pensar como se fosse judeu não pode dizer que tenha aprendido a pensar sobre tudo."
William Rees-Mogg 5
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"É certo que em certas partes do mundo podemos ver um povo singular, diferenciado dos outros povos do mundo e isto é chamado de povo judeu. Este povo não é somente de notável antiguidade, mas também tem subsistido extraordinariamente por um longo tempo. Porquanto os povos da Grécia e Itália, de Esparta, Atenas e Roma e outros que vieram posteriormente tenham perecido há muito tempo, eles ainda existem, apesar dos esforços de tantos reis poderosos que têm tentado centenas de vezes apagá-los da memória, como testemunham seus historiadores, e como pode facilmente ser julgado pela ordem natural das coisas sobre tal longo período de anos. Eles porém, sempre se preservaram e sua preservação estava prevista. Meu encontro com este povo me surpreende”.
Blaise Pascal 6
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" A visão judaica tornou-se o protótipo de muitos dos grandes desígnios semelhantes para a humanidade, ambos feito divino e humano. Os judeus, então, permanecem no centro da
eterna tentativa de dar à vida humana a dignidade de um propósito”.
Paul Johnson 7
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" Enquanto o mundo perdurar, todo aquele que quiser progredir dentro da retidão virá para Israel, para inspiração, tal qual o povo que teve o senso retidão mais ardente e mais forte”.
Matthew Arnold 8
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Realmente é difícil a todas as outras nações do mundo viverem diante da presença dos judeus. É irritante e muito incômodo. Os judeus preocupam o mundo como eles fizeram coisas que estão além do imaginável. Eles se tornaram os estranhos morais desde o dia em que seu antepassado, Abraão, apresentou ao mundo os altos padrões éticos e o temor dos Céus. Eles trouxeram ao mundo os Dez mandamentos, os quais muitas nações preferem desafiar. Eles violaram as regras da história permanecendo vivos, totalmente contra as probabilidades e o bom senso da evidência histórica.
Eles sobreviveram a todos os seus antigos inimigos, incluindo vastos impérios tais como os romanos e os gregos. Eles irritaram o mundo com o retorno à sua terra natal depois de 2000 anos de exílio e após o assassinato de seis milhões de seus irmãos e irmãs. Eles exasperaram o gênero humano por construir, numa piscada de olhos, um Estado democrático que outros não foram capazes de criar durante séculos. Eles construíram monumentos vivos como o dever para com o sagrado e o privilégio de servir como amigo dos homens. Suas mãos estiveram em cada empreendimento do progresso humano, seja na ciência, medicina, psicologia ou qualquer outra disciplina, mesmo que totalmente fora de proporção para o número atual deles. Eles deram ao mundo a Bíblia e até mesmo seu “salvador”.
Os judeus ensinaram ao mundo não aceitar o mundo como ele é, mas transformá-lo, ainda que só algumas nações procuraram escutar. Sobretudo, os judeus introduziram ao mundo o D-us único, ainda que só uma minoria procurou extrair disso as conseqüências morais. Portanto, as nações do mundo compreendem que elas teriam estado perdidas sem os judeus. E enquanto o subconsciente delas tenta lembrá-las de como muito da civilização ocidental foi moldada a partir dos termos e conceitos articulados pelos judeus, fazem qualquer coisa para suprimir isto. Elas negam que os judeus os recordem de um propósito mais elevado de vida e a necessidade de ser honrado, e fazem qualquer coisa para fugir de suas conseqüências. É simplesmente demais lidar com eles, e também embaraçoso admitir, e acima de tudo muito difícil viver com isso.
Assim, as nações do mundo decidiram uma vez mais sair de seu caminho para algo com que pudesse golpear os judeus. A meta: provar que os judeus são como imorais e culpados do massacre e genocídio como alguns deles próprios o são. Tudo isto com o objetivo de esconder e justificar seu próprio fracasso em protestar até mesmo quando seis milhões de judeus foram levados para os matadouros de Auschwitz e Dachau; para limpar sua consciência moral, da qual os judeus as fazem lembrar. E elas encontraram algo com que agredir. Nada poderia satisfazer mais a elas que encontrar os judeus numa luta com outro povo (que estão completamente aterrorizado pelos seus próprios líderes) contra quem os judeus, contra os seus melhores princípios, têm que se defender pela sua sobrevivência. Com grande complacência, permite o mundo que se reescreva a história de forma que se alimente o ódio de outro povo contra os judeus. Isto apesar do fato de que as nações entendem muito bem que a paz entre as partes já poderia ter vindo há muito tempo atrás, se aos judeus tivesse sido dada uma chance justa. Ao invés disso, elas saltaram alegremente no vagão do ódio só para justificar seu ciúme dos judeus e sua incompetência para lidar com suas próprias questões morais. Quando os judeus olham para esse jogo estranho que ocorre em Haia (o “julgamento do muro”), eles só podem sorrir, como se este jogo artificial provasse paradoxalmente ao mundo como ele
admite a singularidade dos judeus. Está em sua necessidade derrubar os judeus sobre os quais eles se elevaram. "O estudo de história da Europa durante os últimos séculos nos ensina uma lição constante: Que aquelas nações que receberam e de qualquer forma razoável e misericordiosamente trataram os judeus prosperaram; e que as nações que os têm torturado e oprimido escreveram sua própria maldição".
Olive Schreiner 9
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" Se houver alguma honra em todo o mundo da qual eu gostaria de ter, seria ser um cidadão judeu honorário."
A.L. Rowse 10
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Notas:
1. Citado por Geoffry Wheatcroft em "The Controversy of Sion", Sinclair-Stevensohn, Londres, 1996, X1.
2. Leon Tolstoy, citado pelo rabino-chefe J. H. Hertz em "O livro judaico do pensamento", Oxford University Press, 1966, pág.135.
3. Anatole Leroy Beaulieu, historiador francês. "Israel entre as nações", 1893,pág.162. Ibid, pág.174.
4. Thomas Cahill, " The Gifts of the Jews” (“Os Presentes dos judeus", Doubleday, Nova Iorque, 1998, pág., 240-41.
5. William Rees Mogg, "The Times", citado pelo rabino-chefe Jonathan Sacks, "Radical then, radical now" ("Radicais então, radicais agora"), Harpercollins, Londres, 2000, pág 4.
6. Pascal, "Pensées" (“Pensamentos”), tradução para o inglês por A.J. Krailsheimer, Penquin, Harmondsworth, 1968, pág. 171, 176-77.
7. Paul Johnson, "A history of the Jews" ("Uma história dos judeus"), Weindenfeld & Nicolsohn, Londres, 1987, pág. 2.
8. Matthew Arnold, "Literature and Dogma", Smith, Elder, Londres, 1876, pág. 58,
9. Olive Schreiner, novelista sul-africano, citado pelo rabino-chefe J. H. Hertz, pág.177,180, Ibid, pág. 180.
10. A. L. Rowse, "Historians I have known" (“Historiadores que eu conheci"), Duckworth, Londres, 1995.
* Nathan Lopes Cardozo é rabino, conferencista reconhecido mundialmente, e embaixador do judaísmo, do povo judeu,do Estado de Israel e da herança sefaradita.




  Por Carlos Brickman
A POSTURA DESTRA

      Dizem que, quando Joseph Mengele chegou ao Inferno, foi imediatamente procurar seu chefe. Hitler estava curiosíssimo sobre os acontecimentos na Terra. E Mengele foi direto: Chefe, o mundo está virado. Os alemães estão ganhando dinheiro e os judeus estão fazendo guerra.

     Nós, judeus, já fomos atacados pela incapacidade de resistir aos nossos inimigos. Éramos covardes, gente sem brio, servis e submissos. Agora somos atacados pela capacidade de resistir aos nossos inimigos. Somos violentos, prepotentes, sanguinários. Na verdade, para o anti-semita tanto faz o judeu ser indefeso ou guerreiro: ele não é criticado pelo adjetivo, mas pelo substantivo. É judeu, e pronto.
     Não há como lidar intelectualmente com o anti-semita: milhares de anos de doutrinação geraram este tipo de gente e não é com argumentos, com debates, com provas que iremos convencê-los. Estes, precisamos manter à distância; a estes, temos de manter sob vigilância.
      Mas há anti-semitas que não sabem que são anti-semitas, ou que sinceramente se consideram amigos dos judeus mas se comportam como anti-semitas. Com estes, é possível dialogar. Vou tratar de um só aspecto deste diálogo, que é a área na qual me sinto qualificado: o da comunicação.

Vejo dois tipos básicos de comunicadores que agem contra os judeus sem saber o que fazem:
     Primeiro, os ideológicos, para quem Israel, como aliado dos EUA, faz parte da grande conspiração mundial liderada pelo imperialismo ianque. Eles se consideram anti-sionistas mas não anti-semitas (o tipo que tem grandes amigos judeus e respeita profundamente Einstein e Mendelsohn, mas não Sharon ou qualquer outro primeiro-ministro de Israel);

     Segundo, os que, por falta de informação, espalham notícias sem base, ficam indignados com os judeus porque Israel utiliza sua supremacia militar na luta contra o terrorismo e consideram que os palestinos são as mais recentes vítimas do imperialismo.
     Em ambos os casos, a comunidade judaica enfrenta, no que se refere aos meios de comunicação, uma série de problemas que precisam ser resolvidos diretamente, tanto no longo prazo como no dia-a-dia:
     1. Desconhecimento dos fatos. Para boa parte dos jornalistas, os judeus e Israel são um mistério; e, enquanto a versão correta das notícias se limita aos jornais da comunidade, versões incorretas se multiplicam e tendem, como previa Goebbels, a transformar-se em verdade (recentemente, por exemplo, a Globonews informou que soldados israelenses foram os responsáveis pelo massacre dos campos de refugiados de Sabra e Chatila; e um jornalista que teria tudo para estar do nosso lado, o respeitado Célio Franco, do ABC, responsabilizou Sharon pelo massacre);
     2. Viés ideológico. De acordo com a Fenaj, Federação Nacional dos Jornalistas, 70% dos profissionais brasileiros votam no PT. Isso significa que, sendo os EUA aliados de Israel, as posições israelenses são automaticamente pró-americanas, contrárias aos interesses populares e tendentes a beneficiar o imperialismo.
     3. Viés social (derivado do item anterior). Os judeus são ricos, são um camada privilegiada da população, ajudam-se uns aos outros, mas sua visão é de casta, e de uma casta de elite. Se um goy se aproxima dos judeus com fins matrimoniais é repelido, porque judeu não aceita na família quem não seja judeu.
     4. Resquícios anti-semitas. Dificilmente vai-se encontrar um brasileiro que seja efetivamente anti-semita; mas é fácil encontrar aqueles que consideram os judeus usurários, avarentos, capazes de tudo por um bom negócio. Há uma certa aceitação de práticas discriminatórias contra os judeus. Não faz muito tempo, num dos últimos governos militares, de Geisel ou Figueiredo, o chanceler iraquiano Tareq Aziz se recusou a participar de uma solenidade junto com o prefeito do Rio, Israel Klabin, e disse claramente o motivo da recusa: não participaria de cerimônias ao lado de um judeu. Não houve protestos da imprensa contra a agressiva atitude do diplomata estrangeiro. O ministro da Previdência de um dos governos militares, Jair Soares, disse com todas as letras que Albert Sabin estava a serviço do sionismo internacional, por criticar um plano de vacinação elaborado pelo Governo brasileiro.
     5. A curiosa visão de que Israel, com menos habitantes do que o Rio de Janeiro e território menor do que o de Sergipe, é o Golias; e os árabes, com território e população maiores que os do Brasil, são David. Os palestinos são vítimas, os israelenses são conquistadores; são balas, tanques e canhões de um lado contra pedras do outro; são soldados israelenses contra bebês palestinos. Os homens-bomba são apenas michignes, não expressam uma política palestina de incentivo ao terror; e, veja só, são suicidas, em vez de homicidas.

     Há mais, evidentemente, e não é preciso listar esses problemas que qualquer membro da comunidade conhece a fundo. Mas agora vem a boa notícia: existe, sim, dentro das técnicas de comunicação e de gerenciamento de crise, uma maneira correta, eficiente e ética de enfrentá-los. É simples: contra a escuridão, a luz. Contra as mentiras, a verdade.

     Há pouco falei em gerenciamento de crise. É uma técnica relativamente moderna, que surgiu para defender os alvos da artilharia da imprensa. É eficiente; é uma das áreas em que meu escritório de comunicação se especializou e em que tem realizado numerosos trabalhos.

     Com certa frequência, acontece com uma empresa, ou com um homem público, ser atingido por uma série de acusações. Algumas são corretas; outras são falsas; uma boa parte, eu diria que a maior parte, traz uma verdade incompleta coberta por uma blindagem de mentiras, ou de má interpretação dos fatos. É mais ou menos o que acontece com os judeus: de repente, os alvos dos meios de comunicação somos nós. E temos de defender-nos, na área de comunicação, usando as técnicas da comunicação.

     Já existem, especialmente nos EUA, ótimos especialistas em gerenciamento de crise trabalhando em benefício da comunidade. Vou citar apenas um, que me impressiona pela qualidade do trabalho: o Honest Reporting, que mapeia a grande imprensa internacional e insiste com os editores em corrigir as notícias sempre que há necessidade. O Honest Reporting desenvolveu maneiras de expressar-se que, de tão boas, adotei como normas em meu escritório.
     O Honest Reporting as chama de Quatro Regras Cardeais do ativismo na comunicação: concisão (foco no erro, nos números, nos fatos, não em generalidades vagas que possam ser desmentidas); precisão (as reclamações devem ser factuais, nossas provas devem ser irrespondíveis, e sempre que possível devemos citar a fonte da informação correta); educação (sem insultos, para não colocar o meio de comunicação na defensiva); e persistência. Dá trabalho, amigos. Muito trabalho. Mas funciona.

     Como se faz este trabalho, tanto para empresas como para a comunidade ? Como isso funciona, em termos práticos?
É essencial:
     1. Acompanhar minuciosamente o noticiário, os programas de rádio e TV, os jornais, a Internet, e responder imediatamente, dentro dos princípios da concisão, precisão, educação e persistência, a cada inverdade, a cada agressão, a cada resquício de anti-semitismo. Contra os mitos do obscurantismo, nada melhor do que a exposição à luz do Sol.
     2. Encaminhar aos veículos de comunicação, o mais rapidamente possível, os pontos de vista da comunidade em relação aos fatos que sejam de seu interesse.
     3. Ter disponibilidade permanente para atender aos veículos de comunicação, seja divulgando informações, seja concedendo entrevistas ou declarações, seja disputando espaço para divulgação e resposta.
     4. Dispor de prestígio jornalístico junto aos meios de divulgação, de maneira a facilitar a divulgação do material necessário a repor a verdade.

     5. Estar apto a fornecer artigos para as principais publicações. Os artigos têm baixo índice de leitura, mas dão prestígio; e os poucos que os lêem são formadores de opinião.
     6. Ser hábil o suficiente para evitar choques frontais com os veículos de comunicação (e, se for possível, até mesmo com os jornalistas, mesmo os mais agressivos). Caso haja possibilidade, devemos matar a fera; mas devemos evitar feri-la. É imprescindível manter boas relações com veículos e profissionais que continuarão vivendo a nosso lado e escrevendo a nosso respeito.

     7. Centralizar a resposta da comunidade. Claro que não podemos impedir que um judeu indignado diga que a Rede Globo está fazendo propaganda anti-semita; mas deve ficar claro quando a comunidade está falando (sempre dentro das normas do Honest Reporting). Não pode ser a mesma coisa um posicionamento da comunidade e um de um cidadão indignado – este, muitas vezes sem razão.
     Tudo isso, enfim, é indicativo; não adianta conhecer os princípios sem ampla dose de trabalho braçal e muita infra-estrutura para suportar a carga.

     A pior parte deste trabalho é a repetição. Corrige-se o erro hoje, amanhã, sempre. Se alguém deixa de cometer o erro, sempre haverá outro que o cometa. Erros já cometidos são quase eternos, já que ficam nos arquivos, prontos para ressuscitar (e ser novamente desmentidos). Esta repetição não deve, apesar de tudo, matar a urbanidade: nós repetimos, mas o receptor está ouvindo nossa versão pela primeira vez.
     Resolve ? Resolve, do ponto de vista da comunicação. É uma batalha sem fim, mas gera-se um equilíbrio que hoje não existe na imprensa.
     Muitas outras coisas podem ser feitas, sempre do ponto de vista da comunicação. Ações tendentes, por exemplo, a expor a vida judaica à população em geral. Vou apenas exemplificar (não tenho condições de saber se aquilo de que estou falando é ou não viável). Digamos, convidar o público para nossa festa de Purim, da mesma maneira que os católicos italianos que vivem no Brasil comemoram em público a festa de Nossa Senhora Achiropita. Ou um grande Seder comunitário de Pessach, com todo o ritual, aberto a grupos específicos de goyim – digamos, os moradores da favela atendida pelo Hospital Albert Einstein. Temos na comunidade gente altamente capacitada para criar eventos de relações públicas que podem ter bons efeitos na construção e reforço da imagem da comunidade judaica em São Paulo.
     Mas não esqueçamos: todo este trabalho de imprensa, de gerenciamento de crise, de relações públicas, tudo isso resolve uma parte do problema, aquela que acontece nos meios de comunicação. Mas nada resolve do ponto de vista geral, daqueles que são conscientemente anti-semitas, e que responsabilizam Marx, Freud e Marcuse, por judeus, por todos os males do mundo. Isso exige outro tipo de ação. Mas não desanime: minha avó Maria, que veio da Ucrânia para Franca no inicio do século passado, sempre me ensinou que é duro ser judeu. E nós somos judeus, continuamos judeus, enquanto os vários Reichs que tentaram nos esmagar desapareceram da face da Terra.
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Carlos Brickman é jornalista:
Palestra sobre “Estratégias na luta contra o anti-semitismo no Brasil” proferida para a reunião da B’nai Brith que teve como tema “Anti-semitismo e insegurança hoje”.







UM AMIGO CHAMADO PEDRO
Por Rachel Stoianoff

      Diz o velho ditado que todos os caminhos levam a Jerusalém. No meu caso alguns caminhos levaram-me a Petrópolis. Lendo um artigo sobre a cultura judaica de D. Pedro II, tive conhecimento também da existência do Rabino Mossé de Avignon na Provença Francesa e fiquei encantada com a grande amizade que mantiveram até o fim de suas vidas.
     Decidi ir a Petrópolis visitar o Museu Imperial. Muito interessada no que vi, voltei lá três vezes. Apreciei o manto, o cedro e a coroa imperial que pertenceram ao Imperador. Resolvi conhecer melhor a cultura judaica de Pedro e o respeito e a admiração que ele tinha pelos judeus. Anotações daqui e dali resultaram neste trabalho, pois achei que devia contar o que foi visto e pesquisado. No final concluí que em outro tempo mais antigo, em outra dimensão no espaço de nossas vidas eu tive também um Amigo Chamado Pedro.
     No arquivo em Petrópolis, achamos mais uma carta que o rabino Mossé dirigiu ao imperador em 9 de agosto de 1889, enviada juntamente com a biografia “Dom Pedro II, Empereur du Brésil”, cuja autoria e até existência do autor tinham sido postas em dúvida por d’Escragnolle. A missiva, em estilo muito floreado, fecha com o seguinte parágrafo:
“Uma das mais belas retribuições de minha vida será apresentar, como historiador francês, o maior dos modernos imperadores, D. Pedro II. Com os sentimentos de minha devota admiração, imploro Sua Majestade aceitar esta nova oferenda e as mais profundas homenagens de seu humilde e respeitoso servo, discípulo de Moisés e dos profetas, que invoca para Sua Majestade, Sua Augusta Família e seu Povo, a graça divina do Supremo Criador, para que Ele o proteja contra os ataques dos insetos e o coloque à sombra das Suas Asas (em hebraico:) que os anjos o acompanhem em todas Suas andanças!”
- Benjamin Mossé   Grão-Rabino Oficial da Instituição Pública (WOLF, Egon e Faria, 1983).


     A História do Povo Judeu, tão ligada à religião e as tradições seculares, é uma história muito especial. A história dos judeus tão diversa da de outros povos é, no entanto a história de toda humanidade.
     As narrativas bíblicas esclarecem os caminhos da humanidade desde a época nômade, desde as tribos, até a formação de nações construídas com leis próprias. As histórias dos profetas, reis, e patriarcas, são um patrimônio de conduta para todas as crenças e todos os homens. A história judaica mesclou-se à história de inúmeros povos e países onde os judeus viveram, incluindo o princípio da História do Brasil desde o descobrimento, Cabral, Fernando Noronha, Pedro da Gama, tantos que para cá vieram, aqui estiveram em paz enquanto durou a repressão à inquisição pelo Marquês de Pombal. Com a chegada da corte portuguesa em 1808, os portos foram abertos à imigração e os judeus que chegaram a partir daí não tinham a ver com os anteriores cristãos novos. 

     O Brasil Império florescia sob o reinado do jovem Imperador Pedro II. E aqui propriamente começa a nossa história: o imperador amigo e admirador do povo da história e da língua hebraica deixou uma grande profusão de documentos sobre o assunto, e registrou de próprio punho em seus diários, o bom relacionamento e as amizades que tinha e cultivava com os judeus do Brasil e de outras terras.
     No museu de Petrópolis, encontra-se todo um acervo desta face pouco conhecida do Imperador D. Pedro, que foi coroado com 15 anos, falava francês e inglês, era culto e foi sempre dedicado ao estudo durante a vida apesar dos seus deveres para com o Brasil. Em 1830 seus estudos incluíram latim, música, dança, caligrafia, geometria, matemática, geografia e, em 1839 ele dedicou-se ao alemão e italiano. Depois D. Pedro aprendeu com perfeição o grego, hebraico, sânscrito, árabe, provençal e a língua tupi.
     Em 1891, D. Pedro publicou um livro de versões de poesias judaicas declarando então, que se dedicara ao hebraico, para conhecer a história e literatura dos judeus e os livros dos profetas. Seu primeiro professor, foi o judeu sueco Aker Blom por volta de 1860 e depois os judeus Koch, Henning e Seybold.
     Em 1887, viajando à Europa, D. Pedro declara ser o hebraico sua língua preferida e, em seu diário, ele anota suas traduções do hebraico, assinala que ministrou aulas de hebraico, depois registra “Traduzi Neemias com facilidade, não tenho esquecido o hebraico”. 

     Até depois de abdicar, D. Pedro continuou estudando sempre a língua hebraica. Traduziu Camões para o hebraico, passou partes do Velho Testamento do hebraico para o latim, dentre elas o Cântico dos Cânticos, Isaías, Lamentações e Jó. D. Pedro foi o precursor dos estudos hebraicos no Brasil e por causa dele muitos estudiosos passaram a cultivar a língua hebraica. O Imperador deixou um trabalho de 19 páginas que está no Museu de Petrópolis com o significado de palavras hebraicas do livro dos Salmos e do Gênesis, sendo que ele as traduziu para o inglês e o grego, não para o português. Este documento contém o hebraico escrito de seu próprio punho. 


     D. Pedro tinha amigos judeus aos quais freqüentava e que também recebia no Paço Imperial. Quando o Imperador criou a Ordem da Rosa vários judeus a receberam no Brasil, como o Coronel Francisco Leon Cohn, Henry Nestor, Dreifus e outros israelitas residentes em outros países também foram honrados. Abraão Bernel, por exemplo, recebeu a ordem por serviços humanitários no Brasil. Firmas inglesas a receberam, todas elas relacionadas aos Rothschild. O coronel Francisco Leon Cohn chegou a Tenente Coronel da Guarda Nacional em 1876. Um judeu, Morris N. Kohn, americano, fez a planta para a instalação da luz elétrica no Palácio da Quinta da Boa Vista. Este judeu que veio residir no Brasil foi o inventor da cama patente. Quem lembra?
     Em 1869, chegou ao Rio o maestro e pianista judeu Gottischalk. e entre muitas apresentações houve uma solene dedicada ao Imperador, composta de 20 músicos sob a regência do maestro, e foi apresentada à Grande Marcha Solene, variações do Hino Nacional. A Lista de artistas israelitas que aqui vieram foi enorme e tiveram sempre o apoio de sua Majestade: Harold Hime, Paula Bucheim, Max Lichtenstein, Ida e Helena Goldsmith e muitos outros. 
   
     Quando a Independência do Brasil foi proclamada, a Constituição declarou  a religião romana como a religião do Império, mas permitia outras religiões. D. Pedro viajou muito e por onde passava visitava as sinagogas; assim foi nas duas sinagogas principais de Londres, sendo, que em uma delas o rabino Marks abriu a Torá a seu pedido, e no Sábado lá estava D. Pedro assistindo ao culto onde recebeu benções para si e toda a família Imperial. Em S. Francisco a Torá lhe foi apresentada e o Imperador a leu fluentemente, leu o livro de Moisés e traduziu o texto com desembaraço para surpresa dos presentes. E assim visitou as sinagogas das cidades onde esteve nos Estados Unidos. fez o mesmo na Europa.
     No seu diário ele registra a passagem pela sinagoga de Bruxelas, esteve também na sinagoga de Toledo fazendo anotações sobre a música e o canto assistindo aos shabat invariavelmente. O Imperador foi à Palestina. Esteve numa sinagoga Samaritana em Sebastia e ele anota que a Torá que lhe foi apresentada era de pele de gazela, muito antiga e tinha o Pentateuco escrito em letras fenícias ou cananéias usadas antes do exílio Babilônico.
      Em Damasco procurou os judeus e os visitou. Na Palestina esteve em Cafarnaum e anotou: “Estudei a Bíblia quanto pude”, e trouxe uma pedra das ruínas da Sinagoga. Foi nesta viagem, várias vezes à Jerusalém. E anotou: “Vou ao Monte das Oliveiras e vou ver os judeus orando junto à Muralha do Templo”.
     E voltando ao Brasil, D. Pedro sempre ligado aos seus amigos judeus, continuou mantendo vasta correspondência sobre o hebraico. Havia um especial – Ernest Renau, filósofo, professor de hebraico e sânscrito, era escritor, mas os livros por ele publicados sobre religião não interessaram a D. Pedro, visto que os pontos de vista de Renau não coincidiam com o sentido religioso do Imperador. D. Pedro era religioso, o  estudo do hebraico, o interesse pelas sinagogas e os judeus, estão alinhados com ele, que declarava: “Creio em Deus, sempre tive fé”.  


     O Brasil seguia seu caminho, e o Império negociava com o exterior, o Brasil tornava-se conhecido e o Imperador recebia publicações de várias partes do mundo. Assim foi-se formando a biblioteca Imperial. Dos Estados Unidos, chegou um livro em hebraico de autoria do rabino Halish e também um manuscrito de Jerusalém enviado por Salomon Henvitz. Muitas cartas em hebraico, poemas, um livro sobre Judah Helevy vieram ao Castelo D’EU quando o Imperador já estava no exílio.
     No exílio, D. Pedro dizia aos jornalistas que o abordavam: “não me chamem Vossa Majestade, mas Monsieur d’Alcantara”.
     As anotações de D. Pedro depois que perdeu o Império são diferentes. Ele foi para França depois que a esposa morreu, e continuou freqüentando os meios judaicos. As anotações em seu diário são variadas referentes aos seus contatos com os israelitas radicados em setores diversos: professores, médicos, escritores, rabinos etc.
     Seis semanas antes de sua morte, ele enviou carta ao professor Max Pettenkoper, agradecendo as poesias em hebraico. D. Pedro foi amigo do rabino Benjamin Mossé de Avinhão, que lhe sugeriu que traduzisse os poemas litúrgicos daquela região da provença, pois ele dominava os dois idiomas. Os poemas eram escritos de maneira especial, eram piuts, escritos uma linha em hebraico, outra em provencal. D. Pedro fez a tradução ao seu modo. O texto hebraico foi para o francês e o provençal para caracteres latinos e assim D. Pedro fez muitas traduções para o rabino de Avinhão, incluindo o aramaico.
     As publicações religiosas do rabino denominadas “ La Famille de Jacob” estão documentados os trabalhos de D. Pedro. A Biblioteca Nacional de Paris possui esses exemplares, as bibliotecas judaicas na França e em Israel não os têm, embora constem documentos franceses as traduções feitas pelo Imperador dos “Treze atributos de Deus” do rabino Salomon bem Isaac de Troyes, no Brasil não há nenhum documento a respeito. 

     D. Pedro recebeu em 15/09/1873 o grande Diploma de Honra por seus trabalhos por intermédio do rabino Mossé que, juntamente com o Barão do Rio Branco, escreveram uma biografia do Imperador.
     A morte de D. Pedro aos 68 anos foi um choque para o rabino de Avinhão e ele escreveu um necrológio no seu jornal “La Famille de Jacob”. D. Pedro II d’Alcantara, cuja biografia um modesto rabino teve a honra de escrever com a colaboração de um sábio brasileiro Barão de Rio Branco, foi uma das mais admiráveis figuras de nossa época moderna. Fundador e organizador do imenso Império brasileiro foi amigo das letras. Conhecedor a fundo do hebraico, era certamente mais fluente nesta língua que muitos filhos de Israel. Ele não somente amava nossa língua mas nos amava, elogiava as virtudes de nosso povo e indignava-se com o anti-semitismo.
     A última obra em que o monarca trabalhava era judaica, uma manifestação ressoante em favor do judaísmo que guardara para sempre sua memória.
     O povo judeu que encontrou tanto desamor através dos séculos também teve amigos sinceros, e entre eles em muito especial, Pedro João Leopoldo Salvador Babiano, Francisco Xavier de Paula Leopoldino Miguel, Gabriel Gonzaga de Alcantara Orleãns e Bragança, Imperador do Brasil.



Referências Bibliográficas:
Wolf, Egon e Frieda. D. Pedro II e os Judeus. Ed. B’nai B’rith. 1983.
Wolf, Egon e Frieda. O Imperador e o Rabino – Resenha Judaica. Arquivo do Museu Imperial de Petropólis.

Fontes bibliográficas: